Mãe de universitária assassinada diz que testemunha protegida foi ameaçada

Júri de acusado de matar cunhada de 19 anos em 2011 começou na tarde desta terça-feira, 23, em São Paulo

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2013 | 20h44

A mãe de Bianca Consoli, universitária assassinada em 13 de setembro de 2011 na sua casa, na zona leste, disse ao tribunal do júri nesta terça-feira, 23, que uma testemunha protegida foi ameaçada pelo réu, o motoqueiro Sandro Dota. O acusado  responde ao processo preso e foi retirado da sessão durante o depoimento, a pedido da testemunha, Marta Maria Ribeiro Consoli. Ela foi ouvida por cerca de duas horas e quarenta minutos.

Marta disse que uma amiga de Bianca, testemunha protegida, contou que foi abordada por um homem e levada dentro de um carro. Dentro do veículo, teria recebido a ordem de Dota de  não comparecer ao júri, por telefone - na época, ele já se encontraria preso preventivamente, na Penitenciária 2 de Tremembé. "Ela disse que após a última audiência.(.. )a pegaram e a colocaram diretamente com Sandro Dota. Ele disse: se ela viesse a depôr, ele faria com ela pior do que fez com a minha filha".

A defesa alega que isso era impossível, pois o réu se encontrava preso. Como a testemunha não foi localizada, o promotor Nelson dos Santos Pereira Júnior dispensou o depoimento da amiga de Bianca, que seria uma das pessoas que avisou Marta sobre as investidas do réu na vítima.

O acusado, que tinha um relacionamento com a irmã de Biana, Daiana Consoli, foi descrito pela mãe como uma pessoa agressiva e descontrolada, com comportamentos possessivos. Ela relatou que a filha contou a outras pessoas que Dota o assediava. Também disse que os filhos de Daiana, um menino e uma menina, na faixa dos 10 anos, disseram que o padrasto o assediava. O menino teria que era obrigado a tomar banho com ele. Já a garota teria dito que era observada por ele no banho.

Ainda deverão ser ouvidas mais seis testemunhas de acusação, seis de defesa e três convocadas pela própria juíza Fernanda Afonso de Almeida. Depois, o réu deverá ser interrogado, haverá os debates entre defesa e acusação e, por fim, a reunião dos sete jurados para dar a sentença. O plenário 4, onde ocorre o júri, permaneceu lotado, e houve uma fila de cerca de 70 pessoas para assistir ao julgamento, no começo da tarde. A previsão é que os trabalhos durem por três dias.

Caso. Sandro Dota é acusado de estuprar e matar por asfixia Bianca Consoli, em 13 de setembro de 2011, quando ela tinha 19 anos. O corpo da vítima foi encontrada pela mãe com uma sacola plástica na boca. Ela estava vestida. A perícia identificou um lesão no anus, que poderia ser produzida por um "material cotundente". O advogado de defesa, Ricardo Martins, diz que o réu é inocente de todos os crimes e que o laudo da perícia descarta a hipótese de estupro.

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