Mãe de Thales culpa vítima e diz que seu filho é perseguido

Segundo Eurydice Ferri Schoedl, procurador-geral de SP quer 'fazer justiça com as próprias mãos'

05 de setembro de 2007 | 09h20

A mãe do promotor Thales Ferri Schoedl, Eurydice Ferri Schoedl, acusou o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo Pinho, de querer fazer 'justiça com as próprias mãos' contra seu filho. Ela também acusou Felipe Siqueira Cunha de Souza, jovem que também foi baleado no dia em que Thales matou Diego Mondanez, de ter sido o culpado pela morte do amigo, por supostamente ter iniciado a briga com o promotor.  Veja também:Conselho Nacional do MP anula efetivação de ThalesMãe de vítima comemora decisão de afastar promotorMP recua e não envia promotor acusado de morte a JalesSerra critica ida de promotor acusado de morte a JalesCaso promotor Thales: A revolta dos familiare Moradores de Jales iniciam campanha contra Schoedl As afirmações foram feitas em entrevistas publicadas na edição desta quarta-feira, 5, dos jornais "Folha de S. Paulo" e "O Globo". A entrevistas foram concedidas um dia depois de o Conselho Nacional do Ministério Público ter suspendido a decisão do Órgão Especial do Ministério Público de São Paulo, que havia dado a Thales o cargo vitalício de promotor - o que lhe concederia o direito a foro privilegiado e lhe impediria de ser levado a júri popular. "O que o procurador de Justiça Rodrigo Pinho está fazendo é fora da ética. Ele se refere a meu filho como 'o sujeito' e faz uma perseguição implacável para expulsá-lo do Ministério Público. Ele está interferindo na decisão do Órgão Especial, que concedeu a ele o vitaliaciamento. Foi o próprio Rodrigo Pinho quem foi até Brasília para pedir ao Conselho Nacional do Ministério Público que se manifestasse no caso. Não foram as famílias das vítimas", disse a mãe de Thales a "O Globo". Para ela, o filho atirou em legítima defesa. "Ele é quem estaria morto se não tivesse sacado a arma e atirado", disse. Embora admita que não se sente feliz em ver seu filho acusado de assassinato, Eurydice, que é professora da rede municipal de ensino, afirma que tudo foi uma fatalidade e que o promotor atirou para defender a própria vida. Nas entrevistas, a mãe do promotor reforçou a linha adotada pela defesa de Schoedl.  Segundo a professora, não foi seu filho quem começou o desentendimento. Thales voltava de um lual com sua namorada, em 30 de dezembro de 2004, na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, quando um grupo formado por aproximadamente dez jovens teria começado a mexer com a garota. A professora contou que a confusão foi iniciada por Felipe, que também foi baleado por Thales e tem uma bala alojada no fígado. "Peço a Deus que ilumine o Diego onde ele estiver, para que tire essa revolta do coração do pai dele, que isso não faz bem a ninguém. Quem começou tudo não foi o Thales, foi o Felipe, que está com uma bala alojada no fígado, deve ser muito difícil. Mas as acusações... Tem palavras erradas. Existe alguma coisa muito forte dentro do Wilson (pai de Felipe) para ele querer incriminar tanto o Thales. Ele (Felipe) deve ter uma culpa muito grande dentro dele, de saber que foi ele que começou a briga e que o amigo poderia estar vivo", afirmou à "Folha".  Segundo ela, Thales não errou a ir armado a um lual em Bertioga, onde aconteceu o assassinato. "Meu filho tem porte de arma. Ele foi ameaçado depois de um júri em Diadema e, por isso, fez o curso, andava com arma. O porte de arma não restringe o lugar, se é na praia... Ele avisou aos homens que era promotor, deu tiro de advertência. Ele correu, fez de tudo. Na hora, a pessoa não sabe como reagir. O Thales estava com medo", defendeu a professora.   Ela também critica a imprensa, ao dizer que se sente ameaçada depois de todo o episódio. "Nosso endereço foi divulgado na tevê. Meu filho foi agredido pelo pai do Felipe dentro do prédio do Ministério Público durante a sessão que decidiu pela seu vitaliciamento. Ele foi seguido no supermercado, na academia de ginástica. Tudo foi filmado e divulgado por uma emissora de tevê sem qualquer autorização. Hoje, me sinto ameaçada".

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