NIVALDO LIMA/FUTURA PRESS
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Mãe de menino que caiu parou em lanchonete antes de voltar

Segundo a polícia, Juliana saiu do prédio para buscar o namorado e só retornou uma hora depois, quando menino já havia caído

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2015 | 22h31

TABOÃO DA SERRA - Uma hora e seis minutos. Esse foi o tempo que a farmacêutica Juliana Souza Storto, de 33 anos, levou para ir e voltar do prédio, onde deixou o filho Gustavo Storto, de 5 anos, dormindo, e o ponto em que apanhou o namorado. Ao todo, foram 24 quilômetros percorridos à noite. Segundo a Polícia Civil, a demora explica-se porque o casal parou em uma lanchonete para comprar sanduíche no meio do caminho.

Imagens de câmeras de segurança mostram que Juliana saiu às 22h54 do condomínio, localizado na Avenida Aprígio Bezerra da Silva, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Ela só chegaria em casa à meia-noite, após buscar o namorado na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul da capital. "Eles estiveram em outro lugar. Foram até uma Subway para comprar lanche, o que explica a demora um pouco maior", afirmou o delegado Gilson Campinas, titular do 1º Distrito Policial de Taboão da Serra, responsável por investigar o caso.

Nesse período, Gabriel ficou trancado sozinho no apartamento que fica na cobertura do prédio, no 26º andar. Como não há sinais de arrombamento no local, a principal hipótese das investigações é que o garoto tenha acordado, acendido todas as luzes, calçado sapatos, apanhado uma mochila e procurado uma saída. A janela do banheiro era a única sem tela de segurança.

O corpo do garoto caiu no estacionamento do prédio, minutos antes da chegada do casal. Próximo à janela do banheiro, os peritos encontraram duas cadeiras: uma delas infantil, sobreposta a outra de ferro. A suspeita é que Gabriel tenha arrastado a maior e equilibrado a menor sobre ela. Por enquanto, diz o delegado, a única certeza é que a Juliana e o namorado não estavam no apartamento no momento do incidente.

"Até o momento, o que nós temos é que, matematicamente, a mãe se ausentou e retornou quando a criança já havia caído", disse o delegado. O mais provável é que Juliana seja indiciada por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, porque, caso estivesse no apartamento, Gabriel não teria morrido. Ela, no entanto, deve receber perdão da Justiça, já que, em casos semelhantes, a perda do filho é considerada a pior pena possível.

Ao longo do dia, a Polícia ouviu vizinhos, funcionários do prédio e familiares da criança. "Tudo indica que ela (Juliana) era uma boa mãe. E, às vezes, por um ato impensado de uma hora, acaba com a própria vida", afirmou Campinas. "Todas as pessoas ouvidas foram categóricas em afirmar que ela era uma mãe presente." Apesar dos primeiros depoimentos, a Polícia Civil pretende ainda traça um quadro social do garoto, com mais informações sobre suas relações na família e na escola.

Gilson Campinas afirma que ainda não há nenhum relato de testemunhas sobre possíveis negligências anteriores cometidas pela mãe. Também de acordo com as informações colhidas até o momento, a recente separação entre os pais de Gabriel foi, nas palavras do delegado, "sem qualquer conotação de briga".

O advogado Carlos Vadalá, que representa Juliana, afirmou que a farmacêutica não poderia imaginar o acidente com o filho e que foi a primeira vez que ela havia o deixado só no apartamento. "Ela já está cumprindo a pena dela, que é perder o filho", disse.

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