Nivaldo Lima - Futura Press/AE
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Mãe de menino denunciou PMs, diz comandante

Policial do 18º Batalhão, ela teria apontado ligação de colegas com roubo de caixa eletrônico; garoto ainda é principal suspeito por mortes

Bruno Paes Manso - O Estado de S.Paulo,

07 Agosto 2013 | 22h50

SÃO PAULO - O delegado Itagiba Franco, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, que coordena as investigações do caso das mortes do estudante Marcelo Eduardo Pesseghini, de 13 anos, de seus pais, avó e tia, ocorridas na segunda-feira, deve convocar o coronel Wagner Dimas, comandante do 18.º Batalhão da Polícia Militar para depor.

Dimas disse nesta quarta-feira em entrevista à Rádio Bandeirantes que a cabo Andreia Regina Bovo Pesseghini, de 36 anos, que trabalhava no 18.º BPM, contribuiu para as investigações que apontavam a ligação de policiais do batalhão com roubo de caixas eletrônicos. Dimas ainda disse que não acreditava na versão de que o menino tenha sido o autor da chacina, mas ponderou que a mãe de Marcelo não vinha sendo ameaçada de morte. Ele afirmou que o depoimento dela não chegou a provocar a punição de policiais. "Vamos avaliar a necessidade da convocação do coronel", afirmou Itagiba, que vai ouvir o comando da PM sobre o tema.

A fala do coronel da PM, contudo, não chegou a abalar a crença dos policiais na versão de que o menino matou os pais, a tia, a avó e depois se matou. Nesta quarta-feira, Itagiba apontou novas evidências que reforçam essa versão.

Luvas foram encontradas dentro do Corsa da mãe de Marcelo. A informação ajuda a polícia a explicar por que o teste do exame residuográfico na mão de Marcelo (que pode identificar a existência de pólvora na mão do atirador) deu negativo.

Conforme a apuração dos policiais, a partir de imagens de câmera de vídeo, por volta da 1h15 de segunda, logo depois de praticar os quatro homicídios, Marcelo foi com o carro da mãe para a rua da escola onde estudava. Dormiu no carro até as 6h30 e depois foi assistir às aulas.

Outras duas informações adicionaram novas peças ao quebra-cabeça que vem sendo montado pela polícia. Além das armas .40 e do revólver calibre 32 encontrados na casa, Itagiba disse nesta quarta-feira que peritos encontraram outras três armas. Ele não soube especificar o calibre. "Se fosse latrocínio, essas armas teriam sido levadas. Mas foram deixadas para trás", disse.

Além disso, foi colhido o depoimento do filho de uma das vítimas, a tia Bernadete Oliveira da Silva, de 55 anos. Ele foi o último a estar com a família antes do assassinato. O rapaz disse que a mãe sofria de depressão e, por esse motivo, passava temporadas com a irmã mais velha, Benedita de Oliveira Bovo, de 67 anos, avó de Marcelo.

Para a polícia, a informação ajudaria a explicar por que as duas não acordaram com os disparos. Elas poderiam estar em sono profundo, sob efeito de remédios. As duas foram encontradas mortas e cobertas. Todos foram mortos com tiros à queima-roupa na cabeça.

Em nota à imprensa, o Comando da Polícia Militar afirma que não houve denúncias registradas na Corregedoria da PM por meio da cabo Andréia Pesseghini contra policiais militares. A assessoria informou que foram consultados arquivos da Corregedoria e do Centro de Inteligência e que nada foi identificado. Ainda segundo a nota, será instaurado um procedimento para apurar as declarações dadas pelo coronel Wagner Dimas Alves Pereira, comandante do 18.º Batalhão. O Estado tentou falar com o coronel, que não foi localizado.

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