Mãe de menina atropelada por jet ski critica atendimento

Cirleide Rodrigues Lames, de 24 anos, mãe da menina Grazielly, de 3, que morreu atropelada por um jet ski desgovernado no sábado de carnaval após a partida ter sido dada por um adolescente de 13 anos, denunciou a demora de 40 minutos para a chegada dos paramédicos e a falta de estrutura do Hospital Municipal de Bertioga, cidade onde aconteceu a tragédia. Ela e mais 18 testemunhas prestaram depoimento ontem no fórum local, na primeira audiência sobre o caso.

ZULEIDE DE BARROS, ESPECIAL PARA O ESTADO, BERTIOGA, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h05

Passados seis meses da morte da filha, Cirleide criticou o atendimento na Praia de Guaratuba. A menina chegou a ser socorrida e levada em um helicóptero da Polícia Militar até o hospital, mas não resistiu aos ferimentos. "Se fosse um lugar mais bem estruturado, talvez a minha filha tivesse sido salva", disse.

A mãe de Grazielly contou também que nunca foi procurada pela família do garoto que deu partida no equipamento, "até para prestar solidariedade". No momento do acidente, ela estava na beira da água com a garota, que, pela primeira vez, ia a uma praia. Sem saber pilotar o jet ski, o garoto, que estava com outro adolescente, também de 13 anos, na garupa, perdeu o controle do equipamento.

De acordo com o advogado da família da vítima, José Beraldo, Cirleide está em tratamento psicológico e tem sido preservada de fortes emoções. Após falar à Justiça, ela deixou o fórum e disse que não teria condições de ouvir os outros relatos sobre a tragédia. A família de Cirleide vive na cidade de Arthur Nogueira, interior do Estado.

Investigações. Após o resultado da perícia do Instituto de Criminalística (IC), a polícia indiciou quatro acusados por homicídio culposo, sem intenção de matar. Foram apontados como responsáveis pela morte de Grazielly o proprietário do equipamento e padrinho do adolescente de 13 anos que deu a partida, José Augusto Cardoso Filho; o caseiro da residência, Elivaldo Francisco de Moura, que teria ajudado o menino a levar o jet ski até a praia; o dono da marina onde a moto aquática estava abrigada, Thiago Veloso; e o mecânico Aílton Bispo de Oliveira, que não teria feito a manutenção adequada do veículo. Foi identificado alto nível de oxidação de algumas peças, o que teria colaborado para a alta velocidade do jet ski, mesmo sem ser pilotado.

Já os dois adolescentes poderão ser submetidos a medidas socioeducativas, a critério do Ministério Público.

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