Arquivo pessoal/Estadão
Arquivo pessoal/Estadão

Mãe de Joaquim teme ser hostilizada, dizem funcionários de presídio

Natália Ponte, que está na Cadeia Feminina de Franca, deve ser solta ainda hoje após decisão de terça-feira do TJ

Rene Moreira, Especial para o Estado

11 Dezembro 2013 | 12h41

FRANCA - Natália Ponte, mãe do menino Joaquim Marques Ponte, encontrado morto em rio em novembro, estaria com medo de deixar a cadeia e ser hostilizada nas ruas. Ela deve ser solta a qualquer momento e provavelmente será levada para a casa de familiares em São Joaquim da Barra, cidade a 70 quilômetros de Ribeirão Preto, onde residia com Joaquim, outro filho de 4 meses e o companheiro Guilherme Longo, principal suspeito, que segue preso.

Até por volta de 12h30, Natália seguia na Cadeia Feminina de Franca, onde está presa, porque o habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo ainda não havia chegado. Imprensa e populares aguardavam do laudo de fora para ver a mãe de Joaquim, que foi morto aos 3 anos no mês passado em meio a muito mistério.

O delegado Paulo Henrique Martins de Castro, que responde pelo caso, diz que o inquérito está caminhando para o fim e Guilherme Longo deve ser indiciado. Já com relação a Natália, ainda será analisado se cabe ou não o indiciamento. Por isso mesmo, não deverá ser impetrado recurso para que ela siga na cadeia.

Sobre o receio da mãe de Joaquim ao sair nas ruas, o delegado diz que o risco sempre existe. Mas, a partir do momento em que estiver fora da cadeia, cabe à família tomar os cuidados necessários para garantir a sua segurança, afirmou ele.

Defesa. Natália está presa há mais de um mês na Cadeia Pública de Franca sob a suspeita de envolvimento na morte do filho ocorrida em Ribeirão Preto no dia 5 de novembro. Ela será solta porque a Justiça considerou, na terça-feira, 10, o fato de não possuir antecedentes criminais e de precisar cuidar do filho de quatro meses.

O advogado Francisco Ângelo Carbone Sobrinho, que conseguiu a liberdade de Natália, não é o seu defensor e nem a conhece. Morador em São Paulo, diz ter se sensibilizado com a situação da psicóloga e resolvido pedir sua liberdade. "A gente viu que essa mãe estava em desespero e que já ajudou muito a Justiça."

Cronologia do caso:

5 DE NOVEMBRO

Joaquim Ponte Marques, de 3 anos, desaparece de casa, em Ribeirão Preto, durante a madrugada, após ser colocado para dormir pelo padrasto, por volta da meia-noite, segundo a mãe, a psicóloga Natália Ponte, de 29 anos. Eles afirmam não ter saído de casa. Um dia antes, o padrasto Guilherme Rayme Longo, de 28, foi internado após tentar o suicídio tomando uma cartela de calmante.

DIA 6

A Polícia Civil pede a prisão do casal por contradição. Um cão farejador aponta que Guilherme e Joaquim percorreram a pé o trajeto de casa até um córrego. O padrasto afirma ter saído de casa a pé depois da meia-noite, sem que a mulher visse, para comprar cocaína - ele é viciado - e voltado 40 minutos depois sem encontrar a droga.

DIA 7

A Justiça nega o pedido de prisão do casal e o desaparecimento ganha repercussão nacional. A cidade comovida se envolve nas buscas. A polícia revela que o menino pode estar morto e que o corpo teria sido jogado em um rio.

DIA 8

A polícia pede a quebra do sigilo telefônico do casal e de parentes. O padrasto afirma ter trocado dias antes o telefone celular por quatro cápsulas de cocaína.

DIA 10

O corpo de Joaquim, em decomposição, é encontrado boiando no Rio Pardo, em Barretos, a cerca de 150 quilômetros de Ribeirão. A Justiça decreta a prisão temporária do casal por 30 dias

DIA 11

Imagens das câmeras de segurança mostram no trajeto feito pelo cão farejador uma pessoa passando com um pano no colo e voltando sem ele depois. Natália presta depoimento e revela que o padrasto era agressivo e tinha ciúmes de Joaquim. Ela afirma também que ele disse ter se autoaplicado 30 doses da insulina no menino

DIA 13

O padrasto presta depoimento e nega participação no crime. Ele diz que aplicou nele mesmo as 30 doses de insulina para conter a vontade de usar cocaína. Longo nega também as agressões a Natália

Dezembro

DIA 9

A juíza Isabela Cristina Alonso dos Santos Bezerra, da 2ª Vara do Júri e das Execuções Criminais de Ribeirão Preto, prorroga a prisão da mãe e do padrasto por mais 30 dias

DIA 10

O Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu um habeas corpus à psicóloga Natália Ponte

Mais conteúdo sobre:
caso Joaquim

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.