Mãe de Isabella registrou queixa contra ex-marido em 2003

Segundo boletim de ocorrência, pai da menina ameaçou a mãe e a avó da criança; polícia vai fazer nova perícia

02 de abril de 2008 | 02h51

A mãe da menina Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos, que na noite do último sábado teria sido jogada do sexto andar de um edifício na zona norte da capital, procurou a polícia em 2003 para registrar queixa contra seu ex-marido, o consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni, de 29 anos, segundo reportagem do Jornal do SBT. Especial - Uma versão do mistério Segundo o jornal, que conseguiu uma cópia do boletim de ocorrência, na época, quando Isabella ainda tinha 1 ano e 4 meses, Ana Carolina afirmou à polícia que Alexandre vinha fazendo ameaças contra ela e a avó da criança. Ana Carolina disse que Alexandre, durante uma discussão, ameaçou matar as duas, mãe e vó da menina, e sumir com Isabella. A mãe de Isabella foi procurada pela reportagem do SBT, mas a família disse que ela só falará com a imprensa depois que prestar depoimento à polícia. Nesta terça-feira, a Polícia de São Paulo decidiu refazer a perícia no apartamento do edifício de onde a polícia diz que Isabella foi jogada. A polícia pretende utilizar o luminol, técnica que identifica minúsculas partículas de sangue, dentro dos dois veículos da família, em busca de vestígios de sangue. Oficialmente, tanto o pai da garota quanto a madrasta, a estudante Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, de 23 anos, não são tratados como suspeitos. Segundo o delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º Distrito (responsável pelas investigações), eles são tratados como 'averiguados'. Na tarde desta terça-feira, seis pessoas foram ouvidas pelos investigadores. Entre as testemunhas, dois vizinhos da família Nardoni teriam relatado aos policiais que escutaram, aproximadamente no mesmo horário em que a menina teria sido arremessada pela janela, gritos de "pára pai, pára pai". A polícia, no entanto, ainda não considera os depoimentos conclusivos. O caso da morte da garota é considerado um mistério na polícia de São Paulo. Embora o pai afirme que a garota tenha sido deixada dormindo no quarto de hóspedes, ela foi jogada do 6º andar pela janela do quarto dos irmãos. A Polícia Civil também já sabe que a menina morreu em decorrência da queda de mais de 20 metros de altura. A constatação foi feita por peritos do Instituto Médico-Legal (IML) que examinaram o cadáver na madrugada de domingo. Os legistas encontraram outras escoriações e ferimentos no corpo, mas dizem ser impossível afirmar, por ora, se são resultado da queda ou se a menina teria sido agredida anteriormente. O delegado afirmou também que não descarta a possibilidade de a menina ter sido colocada no local em que foi encontrada mas, que a hipótese mais forte é a de que ela tenha sido arremessada. Outras duas testemunhas, que seriam vizinhas da família no antigo apartamento em que moravam, disseram que o casal brigava constantemente. O casal se mudou recentemente para o apartamento número 62 do edifício. A polícia também descarta a participação de um suposto pedreiro que teria se desentendido com o pai da garota no homicídio. (Com informações de Bruno Tavares, de O Estado de S. Paulo)

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