Rodrigo Pupo/AE
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Mãe da menina Grazielly fala na primeira audiência do caso em Bertioga

Criança foi atropelada por uma moto aquática no sábado de Carnaval, na praia de Guaratuba, em Bertioga

Zuleide de Barros - Agência Estado,

22 de agosto de 2012 | 19h33

BERTIOGA - A mãe de Grazielly Almeida Lames, de 3 anos, atropelada por uma moto aquática no sábado de Carnaval, na praia de Guaratuba, em Bertioga, foi ouvida nesta quarta-feira, 22, na primeira audiência realizada no Fórum de Bertioga. Mais 18 pessoas também foram arroladas como testemunhas. Cirleide Rodrigues Lames prestou seu depoimento e deixou o local logo em seguida, afirmando que não teria condições de ouvir os outros relatos.

De acordo com o advogado da família, José Beraldo, a mãe de Grazielly faz tratamento psicológico e vem sendo preservada de fortes emoções. Cirleide não quis dar entrevistas para as emissoras de televisão que acompanharam a audiência, mas falou sobre o caso. Ela revelou que até agora, os familiares do adolescente de 13 anos, que estava pilotando o jet ski, não procuraram a sua família "para prestar solidariedade". Ela disse que até hoje, as cenas do acidente não saem da sua cabeça.

Cirleide estava junto com a filha, que pela primeira vez frequentava uma praia. A família mora na cidade de Arthur Nogueira, interior do estado, e a viagem de Carnaval era considerada um sonho para apequena Grazielly. Em um vídeo feito pela família, pouco antes do acidente, ela agradecia à avó pelo passeio, que foi um presente. A menina chegou a ser socorrida e levada em uma helicóptero da Polícia Militar até o Hospital Municipal de Bertioga, mas não resistiu aos ferimentos.

Após o resultado da perícia efetuada pelo Instituto de Criminalística, a Polícia indiciou por homicídio culposo (sem intenção de matar), o proprietário do equipamento e padrinho do adolescente de 13 anos que deu a partida na embarcação, José Augusto Cardoso Filho; o caseiro da residência, Elivaldo Francisco de Moura, que teria ajudado o menino a levar o jet ski até a praia; o dono da marina onde a moto aquática estava abrigada, Thiago Veloso e o mecânico Aílton Bispo de Oliveira, que não teria feito a manutenção adequada do veículo, que apresentava alto nível de oxidação de algumas peças, o que teria redundado na alta velocidade, mesmo sem estar sendo pilotada, quando atingiu Grazielly.

Os dois adolescentes poderão ser submetidos a medidas socioeducativas, de acordo com o Estatuto de Criança e do Adolescente, a critério do Ministério Público. Os quatro indiciados, de acordo com o delegado Rony Oliviera, que presidiu o inquérito, contribuíram de maneira incisiva para o acidente, uma vez que o jet ski passou por manutenção dois dias antes do acidente, na quinta-feira que antecedeu o Carnaval a pedido do proprietário e que, segundo avaliou a perícia, não fizeram a revisão correta. O padrinho do adolescente também foi indiciado, porque permitiu que o rapaz pilotasse a embarcação, sendo menor de idade e sem habilitação. Já o caseiro, embora tivesse negado que ajudou a levar o equipamento até a água, caiu em contradição, diante da declaração de inúmeras testemunhas que presenciaram toda a ação.

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