Google Street View / Reprodução
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Mãe joga filha de três anos pela janela do quinto andar e se joga em seguida

Caso ocorreu na madrugada desta sexta-feira, 24, na Avenida Corifeu de Azevedo Marques, na Zona Oeste

Ana Paula Niederauer e João Ker, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2019 | 04h32
Atualizado 24 de maio de 2019 | 17h11

SÃO PAULO - Uma mulher jogou a filha de três anos pela janela do quinto andar de um prédio na região do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, e se atirou em seguida, no início da madrugada desta sexta-feira, 24. De acordo com o Corpo de Bombeiros, ambas as vítimas foram encaminhadas ainda com vida para o Hospital das Clínicas, por volta das 2h50. Segundo a unidade médica, o estado de saúde da criança é estável e a mãe teve múltiplas fraturas, com quadro grave. 

O crime ocorreu em um edifício na Avenida Corifeu de Azevedo Marques. De acordo com a Polícia Civil, a mãe Fernanda Fernandes Garcia, de 29 anos, cortou a tela de proteção da janela e, por volta de 0h20, atirou a filha enrolada em lençóis. Segundo a polícia, a menina estava dormindo quando foi arremessada pela janela em cima do para-brisa de um veículo na garagem do prédio. 

Depois de ter jogado a filha, a mulher passou cerca de uma hora trancada no próprio apartamento e ateou fogo às cortinas. Ainda conforme a polícia, Fernanda estava transtornada, portando duas facas, dizendo que iria pular. Policiais tentaram acalmá-la, mas, assim que os bombeiros entraram no imóvel, Fernanda se jogou pela janela.

Segundo relatos de vizinhos, Fernanda apresentava comportamentos inadequados. Recentemente, ela queimou pedaços de plásticos dentro do apartamento. Ela foi indiciada por tentativa de homicídio e incêndio. O boletim de ocorrência foi registrado pelo 91º DP (Ceasa). 

O carro sobre o qual a menina caiu pertencia a um casal que morava no prédio. Eles voltavam do supermercado no momento em que a menina foi arremessada. "Foi Deus que fez a gente estar aqui exatamente neste horário", disse a consultora de RH Nadia Macedo. A criança atingiu o automóvel, quicou e depois caiu no chão, a mais ou menos um metro de distância do veículo. 

O chefe dos investigadores de Polícia Civil, do 91º DP, Wagner Rosalin, informou que a avó da criança, Maria Canuto Fernandes Garcia, já foi ouvida pela polícia e não relatou nenhum problema psicológico na filha Fernanda. Segundo Rosalin, o pai está com a criança no Instituto da Criança no Hospital das Clínicas e a avó Maria Canuto acompanha a filha Fernanda, também no HC. 

Em nota, a administração do condomínio disse estar "consternada com o acidente" e informou que "prestou toda assistência aos moradores e esclarecimentos à polícia e ao Corpo de Bombeiros, bem como o socorro das vítimas."

"Todos os procedimentos de segurança do condomínio e de prestação de socorro às vítimas foram prontamente adotados e a administração do condomínio está à disposição das autoridades para esclarecimento dos fatos", informou, em nota. 

Caso Nardoni

O episódio lembra um crime que chocou o País: o assassinato de Isabella Nardoni, em 29 de março de 2008. O júri entendeu que os autores do crime foram o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, condenados a 30 e 26 anos.

Alexandre, pai da criança, foi condenado a 30 anos e dois meses de prisão, enquanto a madrasta Ana Carolina recebeu pena de 26 anos e oito meses. Os dois estão presos em penitenciárias de Tremembé, no interior paulista.

Em maio, Alexandre foi transferido para o regime semiaberto. Ele deixou sua cela na ala do regime fechado e foi levado para as dependências mais amplas do semiaberto na mesma penitenciária. 

Anna Carolina Jatobá, condenada pelo mesmo crime, já é beneficiária das saídas temporárias desde 2017 e, no dia 7 de março, saiu da prisão para passar em casa o Dia das Mães.

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