Mãe acusada de pôr cocaína na mamadeira da filha é inocentada

Juiz não ficou convencido do crime por falta de provas que a responsabilizassem; ela perdeu parte da audição

Fabiana Marchezi, estadao.com.br

02 de setembro de 2008 | 15h20

A Justiça de São Paulo inocentou na última sexta-feira, 29, a dona de casa Daniele Toledo do Prado, de 23 anos. Em outubro de 2006 ela ficou 37 dias presa, acusada de matar a filha Vitória Maria do Prado Iori Camargo, de 1 ano, por colocar cocaína no leite da mamadeira. "Eu merecia isso depois de tanto sofrimento", disse a mãe da criança nesta terça-feira, 2.  Veja também:Justiça retoma caso de suposta cocaína em mamadeiraTodas as notícias sobre o caso no estadao.com.br   De acordo com a Justiça, o juiz Marco Antônio Montemór, da Vara Criminal de Taubaté, no Vale do Paraíba, considerou a denúncia improcedente. Em sua sentença, o magistrado diz que "não foi convencido da materialidade do crime e não há provas diretas ou indiretas que incriminem a acusada". A absolvição de Daniele foi pedida, inclusive, pelo promotor João Carlos Camargo Maia, que a havia denunciado por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e meio cruel, pedindo pena de 280 anos de cadeia. Na época, a denúncia foi feita com base em laudo preliminar, que acabou desqualificado quando o Instituto Médico Legal e uma contraprova deixaram claro que não havia cocaína na mamadeira.  Ainda na sentença, o juiz declarou que "não se mostrou, ainda e finalmente, que alguma ação ou omissão materna tenha relevância causal inequívoca (ou suposta que fosse, ainda que por mera suspeita), com o resultado morte, cuja causa também é desconhecida". Segundo Daniela, nos próximos dias deverá ser aberto um processo contra o Estado por danos morais e materiais. Ela ainda vai pedir a reabertura do processo para apurar a morte da filha. "Espero que desta vez a justiça não seja feita às avessas. Quero saber se houve negligência ou qual o verdadeiro diagnóstico", reclamou. O delegado seccional de Taubaté, Roberto Martins de Barros, preferiu não comentar o assunto. A médica que estava como plantonista no dia da morte da criança, Elisangela Calheiros dos Santos Valente, não presta mais serviços para o Pronto-Socorro da cidade e não foi localizada. O diretor de Departamento de Saúde de Taubaté, Pedro Henrique Silveira, também não foi localizado. O caso  A filha de Daniele, morreu após ter três paradas cardiorrespiratórias em 29 de outubro, quando estava internada no Pronto-Socorro de Taubaté. Uma médica levantou a hipótese de cocaína na mamadeira. Um exame preliminar usado comumente pela Polícia Civil apontou a presença do entorpecente, e Daniele acabou presa em flagrante. Ela foi colocada em uma cela com 18 presas na cadeia feminina de Pindamonhangaba que, informadas do suposto crime, partiram para a agressão. No espancamento, Daniele teve uma caneta enfiada no tímpano. Só no dia seguinte às agressões foi hospitalizada e, depois, transferida para o presídio de Tremembé, onde ficou 36 dias, até que outros exames feitos na mamadeira e nas vísceras da criança mostraram que não havia cocaína. Por conta das agressões, Daniele perdeu parte da visão e da audição do lado direito. As agressões contra Daniela, no entanto, começaram antes da prisão. Quando ainda lutava pela vida da filha, entre uma internação e outra no Hospital Universitário de Taubaté, diz que foi abusada sexualmente por um estudante de Medicina. Daniele deixou de sair de casa com medo de ser agredida na rua. (Com informações de Simone Iwasso e Hélcio Consolino, de O Estado de S. Paulo) Atualizado às 18h45 para acréscimo de informações

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