Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Mãe acusa PM de matar criança de 10 anos e plantar arma

Cintia Francelino só soube da morte quase 5 horas depois; em 3º depoimento, menino diz que revólver foi levado pela polícia

Alexandre Hisayasu, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2016 | 08h07

SÃO PAULO - Familiares do menino de 10 anos morto pela Polícia Militar após furtar um carro juntamente com o amigo, de 11, em um condomínio na Vila Andrade, na zona sul, afirmaram em depoimento no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), na manhã desta terça-feira, 7, que o menino não tinha arma, não sabia atirar nem dirigir. 

Tio da criança, Alex Jesus Siqueira contou que cuidava do garoto com a ajuda da avó, enquanto a mãe e o pai não estavam em casa. Ele afirmou desconhecer o fato de o menino andar armado e dirigir. Siqueira é irmão do pai da criança, que está preso por tráfico de drogas e associação criminosa.

A mãe do garoto, Cintia Francelino, de 29 anos, foi a primeira a ser ouvida no DHPP. Além de reafirmar que nunca viu o filho armado e ressaltar que ele não sabia dirigir, criticou a conduta dos policiais militares envolvidos na ocorrência. Ela afirmou que só ficou sabendo da morte do filho por volta das 23h40, quase cinco horas depois do fato, graças aos pais do menino que sobreviveu.

Segundo ela, após buscar informações no Instituto Médico-Legal (IML) do Brooklin, e seguir para o IML Central, onde estava o corpo do filho, ela chegou ao DHPP por volta de 0h30. Os PMs disseram a ela que o menino havia praticado roubo e atirado neles. Um dos policiais mostrou a arma que estaria com o garoto. Cintia saiu da cadeia em março, após cumprir pena de um ano e seis meses por roubo.

Os dois porteiros que trabalham no condomínio também foram ouvidos. Eles afirmaram que a entrada dos meninos não foi percebida e a saída deles com o carro de um dos moradores foi liberada porque não se notou nada de errado.

Versões. No domingo, dia 5, o menino de 11 anos deu uma terceira versão para o caso. Acompanhado por uma psicóloga, ele afirmou na Corregedoria da PM que ele e o amigo não estavam armados e o revólver calibre 38 foi “plantado” pelos policiais na cena do crime.

No segundo depoimento, na sexta-feira, dia 3, no DHPP, ele afirmou que o amigo estava armado e atirou três vezes contra os PMs durante a perseguição, mas quando o carro bateu, e parou, um PM se aproximou e matou o amigo. E que, ao sair do carro, levou um tapa no rosto e foi ameaçado. Na primeira versão, gravada em vídeo pelos PMs, ele confirmava a versão deles de que houve confronto. A Secretaria da Segurança Pública disse que os PMs envolvidos foram afastados das ruas.

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