Mãe acorrenta filho e leva para internação

Jovem de 22 anos ficou preso três dias em casa; 'Se ela não tivesse feito isso eu teria voltado para a rua', disse rapaz

O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2013 | 02h03

Um jovem de 22 anos que ficou com os pés amarrados por três dias para não fugir de casa foi internado ontem contra sua vontade no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod). O caso não precisou ser julgado pelo plantão judiciário, montado anteontem, pois ele foi apresentado pela mãe do dependente químico.

A dona de casa Sônia Aparecida Klein, de 48 anos, arrumou uma corrente para prender o filho, Elson Aparecido Medeiros, ao pé da cama. "Se ela não fizesse isso, eu teria fugido e voltado para a rua", disse o jovem. Elson usa crack há sete anos e chegou a roubar uma moto da família, em 2006, e vender por R$ 50 para trocar por pedras de crack. O caso foi encaminhado para internação involuntária.

A autônoma Ana Paula Mira, de 34 anos, que havia dopado o pai anteontem para levá-lo ao Cratod foi informada ontem que o paciente seria internado no Hospital Lacan, em São Bernardo do Campo, no ABC. "É um alívio ele ter conseguido. Agora quero conhecer esse lugar e acompanhar o tratamento para ver se ele será bem tratado."

Compulsórias. No segundo dia de funcionamento da força-tarefa para agilizar os casos de internação compulsória, juízes autorizaram dois pedidos feitos por mães de usuários de drogas para que seus filhos sejam avaliados por médicos. O primeiro caso avaliado pela junta jurídica foi levantado pela dona de casa Maria das Graças de Jesus Luz, de 52 anos. Ela pediu a internação da filha, de 30 anos, que vive na rua e está na oitava gravidez.

"São duas vidas que estão em risco. Autorizamos uma equipe médica a ir com a mãe procurar a moça e tentar trazê-la amigavelmente", explica o juiz Iasin Issa Ahmed, responsável pelo plantão. Caso a grávida não quisesse entrar na ambulância, uma viatura do resgate poderia buscá-la. Até o fim da noite, a internação não foi confirmada.

O outro caso envolve a aposentada Tania Cristina de Azevedo Silva, de 58 anos, que pediu a internação do filho, Fernando de Azevedo Silva, de 30, que usa drogas há 12 anos e está internado em um hospital porque tentou suicídio no fim de semana. Após a avaliação médica dos dois casos, o plantão jurídico pode decidir pela internação compulsória.

Ontem, pelo menos dois dependentes químicos que queriam ser internados no Cratod reclamaram que não foram atendidos. A Secretaria da Saúde do Estado informou que os médicos concluíram que a internação não era o tratamento adequado, mas reiterou que há vagas. / T.D.

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