Madrasta contradiz Nardoni em depoimento

Madrasta contradiz Nardoni em depoimento

Anna Carolina Jatobá afirmou que marido colocou cabeça para fora da janela

, O Estadao de S.Paulo

26 Março 2010 | 00h00

A madrasta da menina Isabella, Anna Carolina Jatobá, contradisse o marido em dois pontos durante o interrogatório. A exemplo de Alexandre Nardoni, ela nem esperou o juiz Maurício Fossen ler as acusações para explodir em prantos: "Não excelência, isso é totalmente falso."

O segundo interrogatório, que fechou o quarto dia de julgamento, começou às 16h30. A estratégia da defesa era ressaltar a boa relação que a madrasta teria com a vítima e assim desmentir a tese da acusação de que Anna Carolina sentia um ciúme doentio de Alexandre, o que afetava a relação com a enteada. A madrasta contou que, na semana do crime, a menina teria pedido à mãe, Ana Carolina, para ficar com ela. Anna Jatobá falava rápido. Parecia nervosa - o juiz teve de intervir, pedindo para que relatasse os fatos de forma pausada.

Atendendo um pedido do magistrado, Anna Jatobá passou a relatar o que ocorrera na noite do crime. Foi nesse momento em que Anna Jatobá contradisse o marido. Alexandre passou ou não a cabeça pelo buraco da tela cortada? Ao depor, o pai disse que não e afirmou que carregava o filho Pietro no colo. A mulher, porém, disse que viu o marido passar a cabeça pela tela com o filho no colo.

A madrasta afirmou que subiu de joelhos na cama para ver pela janela, mas sem colocar a cabeça pelo buraco aberto na tela. O filho menor, Cauã, que ela carregava no colo, foi colocado em cima da cama.

Em outro ponto de seu depoimento, ela voltou a contradizer o marido. Afirmou que viu quando Alexandre tirou a chave do bolso para abrir a porta do apartamento, quando eles chegaram com os filhos Pietro e Cauã no colo. Horas antes, seu marido havia dito aos jurados que só havia fechado a porta com o trinco.

Durante a fase do inquérito, Alexandre disse que havia trancado a porta e o assassino de Isabella havia usado uma cópia da chave para entrar no imóvel. Na tarde de ontem, o réu afirmou não se recordar de ter dito isso. Também negou que tivesse afirmado a policiais e moradores do prédio que um ladrão havia arrombado seu apartamento.

Promotor. O magistrado terminou de interrogá-la às 18h. Foi aí que a madrasta passou a ser questionada por Francisco José Cembranelli. O promotor tentou mostrar que a madrasta era uma pessoa desequilibrada, que brigava muito. Jatobá negou que tivesse usado a fralda apreendida pela perícia com manchas de sangue para conter o sangramento na cabeça de Isabella. Disse que pôs o pano de molho com alvejante e sabão em pó no sábado de manhã (dia do crime) ou sexta à noite. Afirmou que fez isso depois de dar mamadeira ao filho.

Sobre o relacionamento dela com a enteada, afirmou: "Minha mãe e avó diziam que eu dava mais atenção para Isa do que para meus próprios filhos."

Na delegacia, segundo ela, os policiais tentavam fazê-la cair em uma armadilha. Diziam que seu marido havia confessado o crime e não adiantava mais ela negar o delito. Segundo ela, a delegada Renata Pontes, responsável pelo inquérito, chegou a lhe dizer que Alexandre "tinha cara de psicopata". "Queriam que eu falasse que era o Alexandre." Detalhista, a madrasta de Isabella se lembrava até mesmo dos nomes dos investigadores com quem manteve contato durante a fase de inquérito policial.

Mistério. Ao fim de quase cinco horas de depoimento, Anna Jatobá disse: "Eu me pergunto todos os dias o que aconteceu naquele apartamento. É um mistério para o mundo inteiro e para mim também." / BRUNO TAVARES, GABRIEL PINHEIRO e MARCELO GODOY

AS CONTRADIÇÕES DO CASAL

Cena do crime

Antes, Nardoni afirmou que, após deixar Isabella no apartamento, trancou a porta e seguiu para a garagem. Ontem, disse que deixou a porta apenas fechada, sem trancá-la

A chave

Anteriormente, Nardoni afirmou que a porta estava encostada ao voltar ao apartamento. Ontem, Jatobá disse que viu o marido com a chave para abrir a porta

Sobre a tela de proteção

Anteriormente, o pai de Isabella não mencionou que carregava o filho Pietro no colo quando olhou pela janela e viu o corpo da menina. Anteontem, a chefe dos peritos disse que as marcas na camiseta do acusado só poderiam ser feitas pela pressão na tela de proteção de uma pessoa que estivesse carregando um peso de 25 quilos, igual ao de Isabella. Ontem, Nardoni disse que, ao olhar pela tela de proteção, estava carregando o filho Pietro no colo. E que o buraco na tela era pequeno e não conseguiu passar toda a cabeça para ver a filha no solo

Invasão

Durante as investigações, Nardoni listou dez nomes de pessoas que poderiam ter invadido o apartamento. Ontem, falou que não entregou nenhuma lista nem apontou suspeitos

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