M² no Brás sai mais caro que na Oscar Freire

Repressão a ambulantes na região central tem causado uma explosão no preço dos aluguéis

RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2011 | 03h01

A repressão da Prefeitura aos camelôs irregulares da Feira da Madrugada está causando explosão no preço dos aluguéis das lojas comerciais no Brás. O preço do m² de boxes bem localizados nos centros de compra popular da região já ultrapassa os R$ 800 mensais. O valor bate até o preço médio de shoppings e ruas caras de São Paulo.

Segundo pesquisa feita pela consultoria Cushman & Wakefield em junho, o aluguel médio mensal do m² na Oscar Freire, por exemplo, era de R$ 230. E o do Shopping Iguatemi, de R$ 744. Mas o cerco às barracas ilegais e o aumento do poder de compra da classe C brasileira está alavancando a procura em zonas comerciais mais populares da capital, como na Rua 25 de Março e no Brás, de forma inédita. Na primeira, considerada o maior centro comercial da América Latina, o m² dos boxes chega a custar R$ 1 mil.

O crescimento no preço do aluguel no Brás é mais recente, mas empresários já apostam nos shoppings populares como solução para as mais de 20 mil pessoas que vão ficar desempregadas, caso a fiscalização na Feira da Madrugada permaneça. Nos quarteirões próximos da feira, pelo menos cinco grandes shoppings populares estão sendo construídos por empresários ávidos por absorver a massa de comerciantes desempregados.

Apenas o New Mall, que está sendo erguido na esquina das Ruas João Teodoro e Rodrigues do Santos, vai ter mais de 420 lojas. Nele, o aluguel de um boxe de meros 5 m² ultrapassa os R$ 4 mil mensais nas áreas mais bem posicionadas. Já na Rua Oriente, a duas quadras do Pátio do Pari - onde funciona a feirinha -, está sendo erguido o mais alto: um prédio de quatro andares que será totalmente dividido em boxes de 5 m² a 20 m².

O valor necessário para se comprar um local no próprio pátio também cresceu bastante nos últimos anos. "Em 2008, um boxe na feira estava valendo mais ou menos R$ 50 mil a compra. Agora você não consegue achar um por menos de R$ 200 mil. Como um camelô, pai de família, vai conseguir pagar algo assim para trabalhar?", pergunta o presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes do Brás, Leandro Dantas.

A esperança de quem quer continuar no comércio é de que, com o aumento do número de shoppings e boxes, turbinado pela esperança de aproveitar o grande turismo de compras que traz fama nacional à Feira da Madrugada, o valor do m² caia e fique mais acessível para quem não pode arcar com um aluguel desse valor. "Isso pode até acontecer, mas, agora, não abrimos mão de continuar com nosso trabalho. A Prefeitura pode até colocar a gente em algum terreno ou galpão, não tem problema. Mas vamos resistir enquanto não nos derem alternativa", diz o presidente do sindicato.

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