Luxo e conforto em diálogo estimulante

Com releituras do gótico e do futebol, primeiros desfiles sugerem inverno prático

Flavia Guerra e Mariana Belley, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2013 | 02h01

Conforto e sofisticação deram a tônica do primeiro dia de desfiles da SPFW Outono-Inverno 2014, no Parque Villa-Lobos. Da urbana UMA à chique e despojada Osklen, o inverno proposto traz o aconchego de tecidos como a lã, a malha e o algodão, sem perder o luxo do couro, da seda e da renda.

A primeira a pisar na passarela desta edição, ontem, foi a top americana Karlie Kloss, que abriu o desfile da Animale em clima de mitos britânicos, mais precisamente os celtas, druidas e pictos. A grife apresentou um casting forte. Além de Kloss, Carol Ribeiro, Aline Weber, Ana Beatriz Barros e Ana Cláudia Michels desfilaram uma releitura de símbolos clássicos da região sob uma luz moderna e atual.

O gótico e o punk, movimentos que têm seu nascimento na Escócia e na Inglaterra, dão o tom para a coleção. Tartans e kilts são diluídos e aparecem ao lado da transparência em vestidos ou em detalhes nas calças de couro que, por sua vez, chegam com a boca em sino. Os alfinetes, um dos elementos característicos do punk, remendam saias e bolsos de coletes e jaquetas. A lã, característica da Escócia, também integra a coleção da grife. O tecido aparece em variedade de tramas e construções: renda, tricô, feltro e gaze double. Os tules acompanham a lã em renda em peças como a saia lápis bem estruturada ou o vestido suéter, muito visto nas passarelas internacionais.

Em seguida, a UMA trouxe um casting também forte, mas nada convencional. Foram os bailarinos da São Paulo Companhia de Dança que deram movimento às criações da estilista Raquel Davidowicz para o inverno 2014. "A dinâmica este ano é totalmente diferente. As provas de roupa foram mais desafiadoras, pois os modelos agora dançam e estão sempre em movimento", comentou a estilista. "Por outro lado, é uma imagem mais próxima da nossa realidade, pois o corpo das bailarinas, ainda que sejam quase todos tamanho 38, são mais reais que os das modelos super magrinhas. Bailarinos têm músculos, precisam de conforto, de movimento. E isso tem muito a ver com a UMA", explica a estilista.

Na apresentação, movimentos bem marcados destacaram as formas e os tecidos escolhidos pela estilista. Em cada passo, o tema da urbanidade e da vida na cidade de São Paulo ganhava cores como o azul, cinza, preto e off-white.

África. No terceiro desfile do dia, Tufi Duek trouxe para o inverno brasileiro uma releitura contemporânea da riqueza cultural e ornamental da África. O estilista da grife, Eduardo Pombal, apostou no grafismo e na geometria, característicos do universo afro, para criar estampas, bordados e recortes que aparecem em vestidos sofisticados de comprimento midi ou curto - em seda, couro, ráfia e fibras de lãs em diversas tramas.

Fechando a jornada, a Osklen apresentou uma verdadeira seleção invernal, em desfile inspirado no universo do futebol. "Não sou grande fã de futebol, torço e apoio o Boa Vista, um time da segunda divisão do Rio. Mas adoro observar este universo. E, no próximo ano, o mundo vai estar olhando para o Brasil e para o futebol", contou Oskar Metsavaht, diretor criativo da grife. Nas estampas, destaque para uma foto da Geral do Maracanã que, impressa digitalmente, ganha efeito ótico impressionante.

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