'Lutei até o fim para ele abandonar as drogas'

Ex-mulher de Chorão, Graziela Gonçalves falou ontem na saída do enterro do cantor

ZULEIDE DE BARROS, ESPECIAL PARA O ESTADO/ SANTOS, O Estado de S.Paulo

08 Março 2013 | 02h01

A estilista Graziela Gonçalves, ex-mulher do vocalista Chorão, do grupo Charlie Brown Jr., disse ontem que "perdeu o marido para as drogas". O cantor foi encontrado morto anteontem em seu apartamento em Pinheiros, na zona oeste da capital. No local a polícia encontrou uma substância que pode ser cocaína. "Lutei até o final para que ele abandonasse a cocaína, mas acabei perdendo essa guerra, que está acabando com todo mundo", disse Graziela em entrevista à Rede Globo.

A jornalista Sonia Abrão, prima do cantor, afirmou que vai esperar os laudos do Instituto Médico-Legal para falar sobre as causas da morte. Ela não quis comentar as afirmações de Graziela, limitando-se a dizer que o primo teve uma crise de desespero.

Logo após o enterro, a ex-mulher contestou afirmações de parentes de que Chorão estava deprimido por causa do fim do casamento de 15 anos, ocorrido em novembro. Graziela e Chorão não oficializaram o divórcio.

Durante o velório, Tânia Wilma Abrão, irmã do vocalista, acusou Graziela de ser a responsável pela morte. A estilista contestou a acusação e fez um apelo para que o caso sirva de lição para quem enfrenta problema igual.

Enterro. Aplausos e lágrimas de fãs, amigos e parentes acompanharam ontem a saída do caixão do velório no ginásio esportivo Arena Santos, na cidade do litoral sul paulista. O cortejo seguiu para o Cemitério Memorial Necrópole Ecumênica, onde o corpo foi enterrado, no fim da tarde. Chorão havia expressado a vontade de ser cremado, mas não foi possível porque a polícia ainda investiga a causa da morte e pode ser necessário examinar o corpo novamente.

Mais de 5 mil pessoas passaram pelo ginásio esportivo, o maior da cidade, onde o vocalista foi velado desde anteontem à noite. Pessoas de todas as idades, e não só adolescentes, prestaram homenagem ao cantor, considerado um grande divulgador da cidade. Chorão era paulistano, mas mudou para Santos aos 17 anos.

A limusine que levou o corpo passou na frente do estádio do Santos, time de coração do cantor, na Vila Belmiro, e na frente do Chorão Skate Park, pista construída pelo vocalista para a prática do esporte, outra paixão sua. Queima de fogos e uma bandeira gigante da torcida Sangue Jovem saudaram o cortejo. Na calçada da pista de skate havia mensagens e flores.

Chorão era bastante popular em Santos, onde era visto com frequência nas praias, na sua pista de skate e na pista pública da Praça Palmares, no bairro de José Menino. Por causa da proximidade que tinha com os fãs na cidade, muitos admiradores criticaram as rígidas normas de segurança no velório e no enterro. Uma quadra antes do cemitério, na Avenida Nilo Peçanha, policiais militares fecharam a passagem de veículos e pedestres, que foram impedidos de entrar no Memorial.

O filho de Chorão, Alexandre Magno Abrão Júnior, de 23 anos, e a mãe do vocalista, Nilda Abrão, que tem 80 anos e sofreu recentemente um acidente vascular cerebral, estiveram no velório, no fim da manhã, e acompanharam o enterro. Chorão faria 43 anos em abril.

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