Luta de Secretário x Maroni terá ingresso, ironiza Kassab

Prefeito 'aposta' em Orlando Almeida e empresário quer ringue no centro

Diego Zanchetta e Artur Rodrigues , O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h02

Para o prefeito Gilberto Kassab (PSD), seu secretário de Controle Urbano, Orlando Almeida, de 64 anos, é o favorito em uma eventual luta de boxe com o empresário Oscar Maroni, de 61. "Estão sendo confeccionados os ingressos para que a gente possa ter a grande luta do ano. Eu não tenho dúvidas de que o Orlando vai levar a melhor", brincou o prefeito, na manhã de ontem.

A polêmica começou na quarta-feira, após Almeida afirmar que "quebraria a cara" de Maroni. Dono da Boate Bahamas, interditada por Kassab em 2007, Maroni viu o Tribunal de Justiça cassar a decisão do prefeito na quarta-feira à tarde. Logo após a sentença dos desembargadores, o empresário declarou que levaria ao Ministério Público Estadual documentos que incriminariam Almeida por corrupção.

Na reação às declarações do empresário, o secretário afirmou que agrediria o empresário no dia seguinte, "porque se eu for processar por calúnia não vai dar em nada". Na quinta-feira, Almeida passou o dia na sede do Ministério Público Estadual esperando Maroni levar os supostos documentos.

O secretário chegou a ligar para o jornalista do Estado pedindo que avisassem o empresário que ele estava lá. "Ele não falou que luta boxe?", indagou o enfurecido Almeida. Maroni, por sua vez, fez um boletim de ocorrência por ameaça de agressão contra o secretário no mesmo dia. Ele promete levar os documentos contra Almeida ao MP na segunda-feira. "Não gosto de briga de rua, sou um atleta do boxe", justificou.

Maroni, porém, levou a sério a brincadeira de Kassab ontem e deu sinais de que pretende levar a polêmica adiante. O empresário promete protocolar na segunda-feira na Prefeitura um pedido de alvará para instalar um ringue na frente do Edifício Matarazzo, no Viaduto do Chá, no centro de São Paulo, onde funciona a administração municipal.

"Eu vou na Subprefeitura da Sé pedir licença de seis horas, em um sábado, para montar o ringue. Eu vou colocar uma camisa com a inscrição de contribuinte, em letras garrafais", disse Maroni. "Eu vou levar um protetor bem especial para o rosto dele não ficar desfigurado. Porque, se acertar meu gancho de esquerda, não vai sobrar nada dele, que está bem fora de forma", acrescentou o empresário, que afirma ter treinado boxe por dez anos e tem 1,91m - Almeida tem 1,85m.

O secretário não quer mais comentar o assunto. Ele afirmou nunca ter se encontrado com Maroni. Sobre um parecer jurídico que determinou em 2006 uma reavaliação na concessão de licença do Bahamas, Almeida mostrou à reportagem documentos que dizem que ele mandou peritos à boate. "Ele não tem documento nenhum. Nunca falou comigo esse sujeito sem caráter", disse, na quinta-feira.

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