Lula se diz 'consternado' e não quer tirar conclusões

Presidente divulga nota de pesar e não descarta fechamento de Congonhas após acidente

Tânia Monteiro, do Estadão,

17 de julho de 2007 | 23h38

Através de um porta-voz da presidência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou na noite desta terça-feira que é precipitado tirar qualquer conclusão sobre o acidente envolvendo um avião da TAM, que derrapou no final da tarde na pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e colidiu contra um depósito da empresa e um posto de gasolina. Havia 176 pessoas a bordo e, por enquanto, foram confirmadas 16 mortes. Veja também:O local do acidenteOs piores desastres aéreos do BrasilGaleria de fotosTudo sobre o acidente da TAM Por meio de nota lula se diz consternado com a situação. O presidente decretou luto oficial de três dias e cancelou todos os compromissos oficiais neste período. E informa ainda que qualquer conclusão sobre o acidente antes de uma investigação da Aeronáutica seria precipitada. Lula não exclui, contudo, nenhuma hipótese, até mesmo o fechamento do aeroporto de Congonhas está sendo avaliado. O presidente assim que soube do acidente montou um gabinete da crise no Palácio do Planalto e se reuniu com alguns ministros.   Leia a íntegra da nota:   Mensagem do presidente Lula sobre acidente com avião da TAM "Foi com grande consternação que recebi a notícia do acidente envolvendo um Airbus da TAM no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Quero manifestar minha solidariedade aos parentes das vítimas e assegurar à sociedade brasileira que todas as investigações necessárias serão feitas a fim de esclarecer as causas dessas terrível tragédia. Em sinal de pesar pelas vítimas, decretei luto oficial no País nos próximos três dias". Luiz Inácio Lula da Silva   Na noite desta terça-feira, havia uma grande preocupação do governo com as repercussões desta nova tragédia, que era classificada como algo "inacreditável". Assessores questionavam se o acidente poderia ter sido provocado pela liberação da pista de Congonhas sem as ranhuras que ajudam a segurar os pousos de grandes aviões - as ranhuras só começariam a ser feitas no próximo dia 25 de julho, quarta-feira. Lula teria pedido informações sobre o acidente com o avião da Pantanal, no dia anterior, que também derrapou na pista de Congonhas e teria sido informado de que, naquele caso, havia ocorrido uma imperícia do piloto.   O governo temia, ainda, a informação de que os controladores de São Paulo teriam pedido que a pista de Congonhas fosse interditada nesta terça-feira, uma vez que a chuva intensa deixava o piso muito escorregadio. Apesar dos riscos, afirmaram fontes ligadas aos controladores, a decisão do Comando da Aeronáutica foi pela manutenção dos pousos e aterrissagens.   Segundo o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, em briefing concedido por volta das 23h30, o atendimento ou não do pedido do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), para que o aeroporto de Congonhas seja fechado, será avaliado depois de uma investigação minuciosa e exaustiva do acidente.   Gabinete da Crise   Foram chamados para o gabinete de emergência, no Planalto, os ministros Waldir Pires (Defesa), Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), Dilma Roussef (Casa Civil) e Franklin Martins (Comunicação Social). As viagens que o presidente Lula tinha agendado para quarta e quinta, confirmou o porta-voz, foram canceladas. O presidente iria, nesta quinta, a Porto Alegre e Florianópolis. Na sexta, estavam previstas visitas a Curitiba e ao Rio.   Nas capitais do Sul, o presidente ia fazer o lançamento dos programas de investimentos em saneamento e habitação. Ao Rio, depois da vaia recebida na sexta-feira passada, durante a abertura dos jogos Pan-americanos, o presidente voltaria para a sessão solene dos 110 anos de fundação da Academia Brasileira de Letras.   Logo depois de montado o gabinete de crise, o presidente Lula telefonou para o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, que estava em São José dos Campos (SP), e determinando que ele se dirigisse para o aeroporto de Congonhas, a fim de obter todas as informações precisas e as repassasse ao Planalto. Saito chegou a Congonhas por volta das 21h30.   Também foram repassadas ao presidente Lula informações das autoridades aeronáuticas avaliando que as perspectivas eram as piores possíveis e que as chances de haver sobreviventes eram praticamente nulas.   O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, assim que foi informado do acidente, embarcou para São Paulo. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) repassou a responsabilidade pela divulgação de informações para a Aeronáutica. O Centro de Investigação de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) abriu inquérito para averiguar as causas do acidente e começar a recolher os dados para uma avaliação. Os militares estavam em busca da caixa preta e enviaram uma equipe de peritos para o local do acidente.

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