Lugares de reunião deveriam ter segurança máxima

ANÁLISE: Silvio Antunes

O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2013 | 02h03

Locais como teatros, cinemas, igrejas e auditórios costumam ter materiais altamente inflamáveis, como carpetes, tecidos dos bancos e revestimentos das paredes. Por isso, é necessário um nível maior de proteção. Há tipos de revestimentos acústicos, por exemplo, que são à prova de fogo. O mínimo que se deve ter é um revestimento com fator retardante. Nas vistorias, os bombeiros pedem um laudo de inflamabilidade do material usado. No caso da boate Kiss, descobriu-se que o material utilizado não era o adequado, era espuma de colchão. É preciso analisar qual era o tipo de revestimento do Memorial.

Se houve um curto-circuito, é necessário descobrir o que causou isso. Não houve manutenção preventiva? Se realmente não havia água no hidrante, isso é uma falha grave. É preciso que haja uma reserva de água apenas para o hidrante, separada do sistema geral. Depois do extintor de incêndio, é o hidrante que é usado para dar o primeiro combate ao incêndio.

O diretor do local disse que a vistoria do Corpo de Bombeiros estava em dia. É necessário averiguar se houve uma falha na vistoria do bombeiro, que não teria notado a falta de água ou de manutenção.

As condutas dos bombeiros durante a vistoria deveriam ser padronizadas. Enquanto uns são mais críticos, outros não verificam devidamente todas as exigências da legislação. O Corpo de Bombeiros é bastante sobrecarregado. Além disso, as vistorias deveriam ter a seriedade redobrada no caso de locais que tenham grande concentração de público.

Pela legislação, as exigências sobre espaços onde há grandes aglomerações variam de edificação para edificação. No caso de locais para mais de cem pessoas, deveria ser exigida a precaução máxima. Nesses casos, seria obrigatório o uso de alarme de incêndio, sistema de detecção fumaça, extintor de incêndio, rede de hidrantes e sprinter (chuveiros automáticos que disparam quando há fogo).

Existe a casualidade que pode ocasionar um incêndio, mas em geral falta uma conscientização sobre manutenção preventiva no Brasil. O que costuma acontecer é que as pessoas buscam agir depois que o problema acontece. Há vários grandes estabelecimentos que não se preocupam com isso. Se houvesse manutenção preventiva, uma série de incidentes poderia ser evitada.

É ARQUITETO DA EMPRESA FIRESTOP, ESPECIALIZADA EM SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIOS

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