Lua de mel de tucano e petista dá lugar a jogo de empurra

A lua de mel entre o petista Fernando Haddad e o tucano Geraldo Alckmin, que dava o tom da relação entre Prefeitura e governo do Estado desde a posse do prefeito, em janeiro, se dissipou no final desta semana. As manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus, que acabaram com a atuação violenta da Polícia Militar na quinta-feira, criaram um ruído entre Prefeitura e Palácio dos Bandeirantes e levaram a um jogo de empurra e acusações.

Julia Duailibi e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

16 Junho 2013 | 02h02

Para tucanos, Haddad foi oportunista e jogou para a plateia ao criticar a ação da Polícia Militar na quinta-feira. Integrantes do governo estadual afirmam que o petista é o grande responsável pelas manifestações por ter demorado a aceitar qualquer tipo de negociação com integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) - na próxima terça-feira, o prefeito receberá representantes do grupo para uma conversa.

Até então Haddad mantinha discurso alinhado ao de Alckmin, criticando a ação violenta dos manifestantes, inclusive durante a viagem conjunta dos dois na semana passada a Paris, onde participaram de eventos da candidatura de São Paulo para sediar a Expo 2020. Outro alvo dos tucanos é o ministro da Justiça e também petista, José Eduardo Cardozo, que estaria tentando promover uma eventual candidatura a governador em 2014 usando a ação da PM - e a segurança pública como um todo - como plataforma eleitoral.

Na Prefeitura, integrantes do núcleo duro de Haddad afirmam que a situação mudou na noite de quinta e que as imagens da PM sendo violenta, inclusive com pessoas que não participavam da manifestação, demandaram uma mudança na posição do prefeito, que foi a público questionar a ação da polícia. Petistas também questionam a relação entre a PM e o secretário estadual da Segurança, Fernando Grella, que estaria em "franca deterioração" e levaria a tropa a não seguir mais as orientações do comando como forma de retaliação - por trás da insatisfação haveria questões conflituosas entre a secretaria e a PM, como a permissão a civis para socorrerem vítimas de violência nas ruas.

Apesar do jogo de empurra, nos bastidores ainda há diálogo entre ambas as equipes. Os secretários municipais Roberto Porto (Segurança Urbana) e Antonio Donato (Governo) mantiveram contato com os pares estaduais, Grella e Edson Aparecido (Casa Civil). As secretarias de comunicação do Estado e da Prefeitura também conversaram e fizeram avaliações conjuntas a respeito da cobertura da imprensa no caso.

Firmeza. "O governador foi firme sem mostrar autoritarismo. Reforçou a imagem de quem agiu com firmeza", declarou o presidente do PSDB-SP, deputado federal Duarte Nogueira. O deputado José Genoino (PT-SP), um dos condenados no processo do mensalão, que apurou o desvio de recursos públicos para compra de apoio parlamentar ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a repressão da Polícia Militar. "As manifestações sociais são legítimas e a democracia tem de conviver com as manifestações. O caminho não é a repressão, mas o respeito e o diálogo", declarou ontem em Ibiúna, no interior, durante o 11º Congresso da União dos Estudantes do Estado de São Paulo (UEE-SP), que prestou homenagem aos estudantes presos na cidade em 1968.

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