Lotérica de prêmio da virada atrai gente até de outras cidades

'A pessoa que ganha em um determinado local se apega a ele de maneira religiosa, ritualística', explica psicóloga

O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2011 | 03h02

A principal atração turística da cidade paranaense de Fazenda Rio Grande, a 35 km de Curitiba, não vem de suas belezas naturais nem de seu patrimônio histórico. Vem da sorte. Desde o réveillon, o município de 81 mil habitantes desfruta da fama de pé-quente: ali saiu um dos quatro ganhadores do maior prêmio já pago pela Mega-Sena na história - R$ 194.395.200,04.

"Meu patrão me ligou ainda à noite para contar. Foi a primeira vez em que um prêmio grande saiu aqui", lembra Marcia Staunetchei Ramos, uma das seis funcionárias da Grande Lotérico, uma das três lotéricas da cidade. Antes, a maior "fortuna" paga ali tinha sido de R$ 60 mil, em um sorteio da Timemania. "Agora vem gente até de Curitiba apostar aqui", conta a funcionária que, depois disso, também arrisca suas apostas.

Superstição. Para a psicóloga Thaís Maluf, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Escola Paulista de Medicina, o fenômeno que faz com que alguém procure determinada lotérica para apostar por achar que a sorte está ali é o mesmo que leva apostadores a buscar talismãs e objetos "da sorte". "É normal em quem gosta de jogar acreditar em alguma superstição, em força maior", explica a especialista. "Tive um cliente que ia para o bingo com um crucifixo e dizia que dava um pouco a Deus e um pouco ao diabo."

Thaís ainda vê semelhança entre esse comportamento e o de portadores de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). "A pessoa que ganha o prêmio em determinada máquina ou lotérica se apega a elas de maneira religiosa, ritualística mesmo. Isso pode tranquilizá-la na hora da negociação com o próprio jogo."

Outro comportamento típico do apostador frequente é prometer antecipadamente ser generoso com a eventual fortuna. "Tem gente que age como se estivesse negociando com Deus. E diz: 'Se o Senhor me fizer ganhar, dou metade aos pobres e amigos", diz o psicanalista André Barreto, que trabalha com compulsão e é, ele mesmo, um renitente apostador da Mega-Sena. /E.V. e P.S.

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