Lotado, abrigo deixa de receber haitianos em SP

Criado para atender de forma emergencial aos imigrantes haitianos recém-chegados a São Paulo, o abrigo montado pela Prefeitura no Glicério, na região central, passou a recursar novos hóspedes nesta semana, após o número de abrigados chegar ao dobro da capacidade do espaço. Segundo a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, o local tem capacidade para 150 pessoas, mas, ontem, abrigava 301 imigrantes - a grande maioria haitianos.

O Estado de S.Paulo

11 Julho 2014 | 02h01

"Quando cheguei, no dia 13 de junho, ainda tinha cama, mas agora muita gente nova chegou e eu estou dormindo em um colchão no chão em um dos quartos", conta o professor haitiano Wilguens Pierre, de 32 anos.

Na Casa do Migrante, espaço na mesma rua administrado pela Missão Paz, da Igreja Católica, os 110 leitos também estão ocupados. Segundo Camila Baraldi, coordenadora adjunta de Políticas para Migrantes da secretaria, é a primeira vez que o número de hóspedes no abrigo municipal chega a 300. Para ela, o aumento da demanda se deve a dois fatores principais: a chegada de mais imigrantes do Haiti a cada semana e a diminuição das contratações desses estrangeiros no mês passado.

"Em maio, recebemos 653 haitianos e 579 foram contratados. Já em junho, chegaram 693 e apenas 391 conseguiram emprego. O número de empresas que vieram fazer seleção aqui caiu de 264 em maio para 39 em junho", conta o padre Paolo Parise, um dos coordenadores do abrigo católico.

Desde o início do ano, 2.461 haitianos já passaram pelo local em busca de auxílio para a emissão de carteira de trabalho. Mais da metade deles (1.363) conseguiu emprego.

Ônibus vindos do Acre com grupos de haitianos continuam chegando a São Paulo semanalmente. Segundo alguns haitianos ouvidos pelo Estado, a passagem é paga pelo governo do Acre. A assessoria de imprensa local não se pronunciou.

Mesmo lotado, o abrigo provisório terá de ser fechado no próximo dia 28, quando vence o contrato de aluguel feito entre a Prefeitura e o dono do terreno. A administração municipal promete abrir entre agosto e setembro um centro permanente para acolher imigrantes.

Ganeses. Assim como aconteceu em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde 250 ganeses que vieram para a Copa do Mundo pediram refúgio político ao País, São Paulo também tem recebido imigrantes de Gana nessa situação.

Somente no abrigo da Prefeitura ontem, havia cerca de 40 ganeses. / F.C.

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