Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Lotação pode explicar pane do metrô

Para diretor de sindicato, pressão de passageiros nas portas fez acender sinal na cabine e provocou paralisação da Linha 3-Vermelha

Bruno Ribeiro, Monica Pestana, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2010 | 00h00

A pane do Metrô de anteontem pode ser resultado de falhas técnicas decorrentes da superlotação da Linha 3-Vermelha, que leva em média mais de 1 milhão de pessoas por dia. A companhia apresentou ontem uma nova versão para o incidente, mas continuou a informar que a origem de tudo seria uma blusa presa a uma porta.

O trecho onde a falha ocorreu fica entre as Estações Pedro II e Sé. O diretor do Sindicato dos Metroviários, Marcos Freitas, que é condutor de trem, diz que por causa de uma curva no local, trens parados ficam inclinados à direita. É comum as composições pararem naquele trecho no pico da manhã para esperar a movimentação dos trens na Sé. "Como o vagão está lotado, os passageiros acabam pressionando a porta", diz o metroviário. Isso ocorreria involuntariamente: as pessoas estão paradas com o corpo inclinado.

Acontece, segundo Freitas, que tem sido comum a pressão causada pelos corpos das pessoas acionar um dispositivo instalado acima da porta que liga o aviso de "portas abertas" na cabine do maquinista. Com esse aviso ligado, o trem não segue viagem. "O condutor avisa o CCO (Centro de Controle Operacional), que fala para ele sair do trem e ir ver o problema", diz Freitas.

O Metrô foi questionado diversas vezes, mas não respondeu as perguntas da reportagem sobre o caso. O diretor de Operações do Metrô, Conrado Grava de Souza, apresentou ontem ao SPTV, da Rede Globo, a versão da companhia para o incidente. Disse que a blusa teria se prendido na porta e que, com o movimento do trem, as pessoas teriam pressionado essa saída. Isso teria ligado o sinal de abertura das portas.

Anteontem, ele falou que, após a indicação de porta aberta, um funcionário foi até o local com defeito e "observou um objeto (a blusa) na porta. Ele atuou nesse objeto e retirou".

O presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos do Metrô (Aeamesp), José Geraldo Baião, diz que a lotação dos trens pode aumentar a ocorrência de "incidentes externos", não causados por falhas nos equipamentos. Mas fala que há uma série de protocolos de manutenção seguidos pela companhia.

Pane geral. Anteontem, a porta com defeito era a última do trem 319. Passageiros não esperaram a solução do problema e teriam aberto as saídas de emergência, obrigando o desligamento da energia.

Enquanto tudo isso não era resolvido, as composições atrás do 319 também pararam. O primeiro na fila era um dos novos trens espanhóis do Metrô, sem janela e equipados com ar-condicionado. No entanto, os aparelhos desligam quando o trem para por falta de energia.

Ontem, o Metrô teve de lidar com mais falhas na rede. Três trens - um de cada linha, 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha - foram retirados de circulação, entre 8h07 e 13h28, por falhas de tração e no sistema pneumático. Os casos foram resolvidos em até dez minutos, segundo nota enviada pelo Metrô.

Caos

250 mil

pessoas foram afetadas pela pane de anteontem

18

estações foram fechadas

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