Lollapalooza abre com logística inadequada

Superlotação cria momentos de tensão na plateia e filas de alimentação têm espera de uma hora; Phoenix faz uma das melhores performances

O Estado de S.Paulo

06 Abril 2014 | 02h04

Superlotado, com exaustão de todos os equipamentos (banheiros, bares, lounges), recolhimento de lixo completamente ausente e com acesso às vezes impossível aos diferentes palcos (o Palco Interlagos tinha um corredor de pouco mais de 200 metros para 80 mil pessoas atravessarem), o Lollapalooza São Paulo conseguiu fazer quase tudo que um festival não deve fazer. O retorno para casa tendia a ser um pouco aflitivo, porque a multidão estimada em cerca de 80 mil pessoas parecia ter uns 20 mil a mais no momento do show da banda Phoenix.

Outras bandas, como Imagine Dragons e Cage the Elephant, também eletrizaram o público, mas por volta das 19h já tinha pouca gente com disposição para andar de um palco a outro. "Too much hills" (morros demais), disse o roadie da banda Nine Inch Nails, sobre a geografia do Autódromo de Interlagos. O acúmulo de copos e embalagens de comida nos morros fazia as plateias às vezes afundarem no material acumulado.

Os cambistas vendiam ingressos nas imediações do Lollapalooza a até R$ 600. Havia uma certa displicência da CET e da polícia em coibir abusos. Manobristas paravam o trânsito já quase no portão principal do festival para oferecer vagas clandestinas de preços estratosféricos.

Quase sem voz por conta de uma amigdalite, o cantor do Muse, Matt Bellamy, tentou segurar a onda de show principal da jornada no Lollapalooza. Não ajudou ele incluir no repertório uma canção do Nirvana, Lithium, na qual a voz quase não se ouvia. O show abriu com New Born, de 2001. Depois, veio Plug in Baby e Lithium, bastante comemorada pelos fãs.

Mais solar do que sua fase inicial sombria, de bustiê, a barriga descoberta, a cantora neozelandesa Lorde foi a primeira a conseguir encher o palco Interlagos, o menos badalado da turnê, durante sua apresentação. Fisicamente, ela parece uma mistura da atriz Amy Irving com a cantora Tarja Turunen, e exerce um fascínio estranho sobre as garotas.

O momento de transição entre o final do show de Lorde e o meio do show do Phoenix quase causou uma calamidade, por causa do corredor intransitável que se formou, quase com gente pisoteada. Uma das coisas mal planejadas do festival.

Entre os brasileiros que se apresentaram houve poucas novidades, tanto em termos de artista quanto de repertório. O que mais se aproximou do fator revelação foi Silva, cuja apresentação mostrou que ele já tem um público cativo. A plateia cantou junto a faixa título de seu CD mais recente, Vista Pro Mar.

Os únicos brasileiros a figurar no horário nobre do festival foram os membros da Nação Zumbi, que retomaram os trabalhos da banda neste ano. O grupo iniciou o show com o hit Quando a Maré Encher e tocaram Cicatriz, single do novo CD previsto para ser lançado ainda em abril.

O Phoenix foi marcante. A performance, que até começou comportadinha, fez o público se envolver com o indie rock poderoso do grupo francês, a ponto de fazer levantar do chão quem estava ali sentado só para guardar um bom lugar para o show do Muse, que encerra a sequência de shows no palco Skol.

O vocalista Thomas Mars foi uma atração a parte. Além de cantar com uma afinação digna de suspeitas de playback, se entregou por completo ao público. Foi às grades para se aproximar dos fãs, subiu em uma das torres que sustentavam aparelhos de som e iluminação e finalizou a passagem com um mosh, rolando sobre as mãos da plateia por aproximadamente três minutos.

A reportagem do Estado demorou quase 35 minutos para efetuar a compra dos tickets e outros 25 para conseguir adquirir a comida. Mais cedo, às 14h, o tempo de espera foi de apenas 15 minutos. "Desisti da comida mais refinada. Vou deixar para comer em casa mesmo. Mais cedo até que estava tranquilo, mas agora, sem condições", afirmou a recepcionista Jéssica Gonçalves Saiti, de 25 anos.

O espaço começou a ficar lotado no período da noite, quando os fãs marcavam presença para o show do Muse. Os banheiros também ficaram lotados. O tempo médio de espera para conseguir ir ao masculino, próximo ao palco principal, foi de 20 minutos. / Com reportagens de Gabriel Perline, João Paulo Carvalho, Jotabê Medeiros e Renato Vieira.

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