Lojistas pedem ações para levar público de volta

Faturamento em alguns locais caiu até 60%; comerciantes festejam ainda reabertura antes do Dia da Criança

DENIZE GUEDES, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2011 | 03h01

Às 20h30 de ontem, logo após saber da liberação da reabertura do Center Norte já a partir de hoje, o gerente de uma loja de roupas do shopping comemorou. E correu para ligar e avisar seus vendedores.

"Achávamos que não demoraria para reabrir, mas nossa expectativa era a de que ficasse fechado até domingo. Estou muito feliz em voltar a fazer o meu trabalho", disse ele, que pediu para não ser identificado.

O gerente, porém, agora se preocupa com o retorno dos clientes - que começaram a minguar no dia 16, quando a polêmica sobre o risco de explosão por gás metano começou. "Não basta simplesmente reabrir as portas para os frequentadores voltarem", disse. "Espero que a administração desenvolva ações para voltarmos a ter a frequência de clientes de antes dessa história toda."

Mas ele está confiante. "O Center Norte sempre teve um público fiel. Espero que as pessoas percebam que a Prefeitura e a companhia de meio ambiente (Cetesb) deram aval para a reabertura e voltem."

Prejuízos. Em termos de faturamento, o gerente conta que sua loja teve uma queda de 60%. Se antes ele vendia R$ 40 mil em um sábado, viu o gasto dos poucos clientes cair muito. "Não passou de R$ 18 mil nos sábados das últimas duas semanas", calcula ele, que ontem foi realocado pela grife onde trabalha para outra loja da rede, em um shopping da zona sul.

A situação dos lojistas do Center Norte provocou a solidariedade de outros trabalhadores de shopping da capital.

Dona de uma loja de vestuário feminino de um shopping na região da Avenida Paulista, Vânia Chinaglia, de 36 anos, lamentou o fechamento do centro de compras anteontem. "Foi uma pena o que aconteceu, ainda mais porque o Dia da Criança e o fim de ano estão chegando", disse ela, que trabalha em shoppings desde 2006. "E, se for pensar bem, muita coisa nessa cidade foi construída em cima de terreno baldio, de lixão."

Já Adriana Oliveira, proprietária de uma loja de bolsas e acessórios no mesmo shopping da região central, acha que o Center Norte deveria saber da questão do gás há anos e, agora, os lojistas é que estão "pagando o pato". "Sempre sobra para o lojista, que vai ter de pagar encargos do mesmo jeito, com todo o movimento baixo que enfrentou com essa novela", afirmou.

Força total. Para ela, que trabalha em shoppings há sete anos, vai ser preciso um bom trabalho de imagem para reverter o antimarketing. "Mas bom vendedor corre atrás. No lugar deles, eu abriria amanhã com força total."

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