Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Lojistas já encaram fuga de clientes

Praça de alimentação, antes com filas, tem cadeiras vazias no almoço após alertas. Funcionários dizem que não há clareza sobre risco

Diego Zanchetta, O Estado S. Paulo

27 de setembro de 2011 | 22h45

SÃO PAULO - Nem é preciso perguntar a algum lojista se caiu o movimento no Center Norte. É na hora do almoço que os vazios aparecem em cantos antes disputados em filas intermináveis. Por volta das 13h desta terça-feira, 27, sobravam cadeiras em redes populares como Giraffas e McDonald’s, algo incomum em um lugar por onde passam, em dias "normais", cerca de 120 mil pessoas - contingente maior do que a população de mais de 400 cidades paulistas.

A preocupação com a queda do movimento, no entanto, nem incomoda tanto. O que funcionários e donos de lojas querem saber de uma vez por todas é se podem ir trabalhar sem risco de não voltar para casa no fim do dia. Alguns já cogitam baixar as portas a partir desta quarta.

"Vou sair de casa de manhã e meu filho de 9 anos pergunta se o shopping vai explodir. Não dá mais para vir trabalhar assim. Se é para fechar, que feche logo e que se resolva o problema", desabafa Mariana Viera, de 36 anos, gerente de uma cafeteria que funciona perto de uma das entradas principais do Center Norte.

Os lojistas e funcionários ficaram sabendo do prazo para o shopping fechar em 72 horas por meio de repórteres e cinegrafistas que se espalhavam pelos corredores. "Cheguei aqui antes das 9 horas e não vi ninguém da Prefeitura. Isso tudo está criando um clima ruim até com a família. Minha mãe já quer que eu troque de emprego, acha que vou morrer a qualquer momento", reclama o garçom Ronaldo Tenório Souza, de 45 anos, que trabalha em um bufê que serve almoço por quilo no shopping.

Novela. É visível a tristeza e a apreensão de quem trabalha no local quando o assunto é o risco de explosão. No início da noite desta terça-feira, 27, proprietários de lojas ainda discutiam se fechariam as portas a partir desta quarta ou esperariam até sexta-feira.

"Eu mais explico para os clientes sobre essa novela do que vendo roupas", criticava o dono de uma loja de lingerie. "Pago meus impostos em dia, e a Prefeitura tem o dever de dizer se eu estou seguro aqui ou não. Por enquanto, só existe muita fumaça nesse assunto."

Entre os clientes, a dúvida principal é por que só agora - 27 anos depois da inauguração - é que o shopping Center Norte teve divulgada a contaminação em seu subsolo.

"Daqui a pouco, o shopping vai pagar uma multa milionária e tudo se resolve. Acho que a Prefeitura só está querendo arrecadar mais com essas ameaças", acredita o bancário Fábio André Castanho, de 32 anos, que há 12 almoça todos os dias no centro de compras. "(Com medo) A minha mulher pediu para eu não vir mais aqui, mas não tem outro lugar melhor para comer por perto."

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