Mario Ângelo/SigmaPress
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Lojistas e GCM se enfrentam perto da 25

Comerciantes se rebelaram após blitz antipirataria; três pessoas foram presas

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2011 | 00h00

O que deveria ser uma operação de rotina contra pirataria se tornou ontem um confronto entre guardas-civis e comerciantes do Shopping Mundo Oriental, na região da 25 de Março, centro de São Paulo. Inconformados com uma série de blitze, lojistas protestaram por quatro horas. Após discussões e o arremesso de pedras, ovos e bombas de efeito moral, o shopping reabriu. Três pessoas acabaram detidas e um guarda, ferido.

Os GCMs ocuparam a entrada do shopping, que tem 450 boxes, por volta das 9 horas. "Chamei alguns lojistas para dizer que as lojas seriam abertas, mas fiscalizadas", afirmou o inspetor da GCM Marcos Ferreira. Até aquele momento, cerca de 350 comerciantes caminhavam pela Rua Barão de Duprat com faixas, promovendo um apitaço. Impedidos de entrar no shopping, eles reagiram. "Quando estávamos negociando, eles começaram a agredir a Guarda Civil. Jogaram pedra, ovos."

Os GCMs responderam com gás de pimenta e bombas de efeito moral. A confusão seguiu para a Avenida Senador Queirós, prejudicando o trânsito. Manifestantes atearam fogo em papelões e madeiras para bloquear a via. "Todos têm de trabalhar para pagar as contas. Tenho quatro lojas", disse Fayad Awada, de 33 anos. "Estou nessa vida há mais de dois meses: abre e fecha."

A Tropa de Choque da Polícia Militar foi chamada para ajudar a GCM. Às 11h30, a situação estava controlada. Comerciantes e guardas discutiram até as 13h40, quando foi autorizada a entrada dos lojistas no shopping.

O advogado do estabelecimento, Nasser Rajab, classificou a operação como arbitrária. "Estavam usando de força bruta para fazer valer uma decisão ilegal."

"A lei permite à Prefeitura suspender o funcionamento do estabelecimento", justificou o secretário de Segurança Urbana, Edsom Ortega. "Há uma reação de quem estava ganhando muito dinheiro com o crime."

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