Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Lojistas de Pinheiros brigam com construtora

Dez estabelecimentos comerciais, além de uma casa, devem dar lugar a prédio

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2011 | 00h00

Dez estabelecimentos comerciais, entre lojas de instrumentos musicais, de roupas, lanchonetes e um posto de gasolina, além de um mansão, devem desaparecer da esquina das Ruas Teodoro Sampaio e João Moura, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. A área de aproximadamente 5 mil m² vai dar lugar a um novo empreendimento imobiliário. Comerciantes tentam adiar o despejo na Justiça.

  Veja também:

link Teodoro Sampaio perde força como reduto de músicos

O drama dos comerciantes começou há cerca de três meses, quando receberam carta com um ultimato: deveriam mudar até setembro. Todos são locatários de um mesmo proprietário e a área foi comprada por uma construtora. Alguns estabelecimentos estão no local há mais de 40 anos.

Todo o perímetro, no coração de Pinheiros, pertencia até este ano à família Passaro, cuja matriarca, Tereza, morava na mansão do número 740 da Rua João Moura. A casa, com mais de 40 metros de frente e amplo quintal arborizado, já era cobiçada pelo mercado imobiliário havia tempo. Com a morte de Tereza, os herdeiros acertaram a venda - uma das filhas foi procurada, mas preferiu não falar.

A incorporadora Helbor, nova dona da área, confirmou que haverá um empreendimento comercial no local, com salas de mais de 50 m². O projeto arquitetônico foi apresentado à Prefeitura e aguarda aprovação. O Município também analisa plano de manejo das árvores do terreno. A Helbor não fala em valores, mas Pinheiros tem um dos metros quadrados mais valiosos da cidade, em torno de R$ 9,5 mil.

Dos sete estabelecimentos de frente para a Teodoro Sampaio, quatro já fecharam as portas. Dono de um depósito de materiais de construção que havia 18 anos funcionava no local, Antonio Murias, de 61 anos, foi um dos primeiros a decidir pela mudança. Ele alugou um salão no bairro. "Não me deram opção de compra, que seria uma obrigação segundo a lei do inquilinato. Além do risco de não dar certo em outro endereço, tive de comprar um ponto."

Há 44 anos na João Moura, a empresária Raides Cruz Franca, de 67 anos, ainda não encontrou novo ponto para sua loja de roupas femininas. "Decidi entrar na Justiça para renovar meu contrato de locação."

A Helbor não informou quantos imóveis serão demolidos. A Câmara Técnica de Legislação Urbanística, ligada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, recomendou que os empreendedores avaliem a manutenção da casa no projeto.

A mansão não é tombada, por isso inexiste impedimento para sua demolição. / COLABOROU MÁRCIO PINHO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.