Lojista tenta acordo com bandidos e acaba sequestrado

Comerciante pretendia negociar fim de uma série de assaltos no Capão Redondo; PM localizou e invadiu cativeiro

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2010 | 00h00

O comerciante M. marcou um encontro, na quarta-feira passada, com traficantes de drogas em um ponto do Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Queria negociar o fim da série de assaltos na região, entre os quais quatro em sua loja de materiais de construção. Foi recebido pelos criminosos, mas impedido de ir embora. Ficou sequestrado por 28 horas, ao lado de dois funcionários.

"Foi ingenuidade", desabafou ontem M., ao explicar o motivo para ter procurado os ladrões. "Tentei conversar com o chefe, passar um recado: para não deixar que acontecesse isso (os crimes). Acredito que eles não querem polícia por perto."

Passava das 15 horas de quarta-feira quando os criminosos responderam: "Desce aí que vamos fazer um festa para as crianças e vê no que você pode ajudar." M., de 34 anos, foi se encontrar com os criminosos. Estava acompanhado pelos funcionários W., de 19 anos, e C., de 26. Seguiram de carro até o estacionamento de um conjunto habitacional na Rua Felipe Carrillo Puerto.

Ao chegarem, souberam que teriam de ir para outro lugar. Os criminosos alegavam que ali não era possível conversar, pois poderiam chamar a atenção da polícia. Os três embarcaram, então, em um SpaceFox vermelho. O destino era uma viela na Rua Vital Rifarto. Entraram em uma casa e não saíram mais.

"Primeiro eles falaram: "Espera um pouco, você não pode sair"", relembra o comerciante. Depois, anunciaram o sequestro: "Você tem dinheiro, queremos R$ 30 mil."

Reféns. O cativeiro consistia em uma cozinha, dois quartos e um banheiro. As três vítimas eram mantidas em um dos quartos sem mobília. Pela única janela do local era possível ver o movimento na viela. Um dos ladrões vigiava as vítimas. Exibia um revólver calibre 38.

Com medo, os três sequestrados evitavam conversar. Se os criminosos ouviam algo, desferiam tapas. "Tomei um tapão na orelha, até agora não estou ouvindo direito", disse o comerciante.

As agressões eram acompanhadas por xingamentos. Cansados, os reféns não dormiam. Perderam a noção do tempo. M. afirma que pensava: "De dia estou seguro, mas quando chegar a noite, o terror aumenta."

A noite de quinta-feira chegou e o trio ouviu um estrondo. Avisados, PMs da Força Tática localizaram o cativeiro. Os ladrões correram, com exceção de Caique Pereira dos Santos, de 22 anos, que dormia. "Sempre tem alguém bom no mundo para denunciar", diz o comerciante.

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