Lojista diz que não chamou polícia por roubo de biscoito

Funcionário de café duvida até da intenção de roubar de suspeito; polícia tem mais de 20 minutos de gravações das câmeras locais

SYDNEY, O Estado de S.Paulo

22 Março 2012 | 03h01

A morte de Roberto Laudisio Curti levanta mais dúvidas a cada dia. Sabe-se agora que o roubo de um pacote de biscoitos de um café - que teria ocasionado a perseguição policial de domingo - não foi comunicado pelo estabelecimento. Os funcionários tinham dúvidas até sobre a intenção criminosa da pessoal que invadiu a loja.

SYDNEY - Um funcionário da loja de conveniência disse ao Estado que o suspeito entrou no estabelecimento duas vezes. Sem camisa, invadiu a área restrita atrás do balcão, dizendo frases como "Se você não me ajudar, Deus não vai te perdoar", entre outras palavras desconexas. O funcionário não chamou a polícia.

Ele teria pegado um pacote de biscoito do balcão e saído da loja. Vinte minutos depois, voltou sem o pacote, mas não permaneceu por muito tempo. Os funcionários não acreditam que ele entrou na loja com intenção de furtar - estaria apenas desorientado. Mas funcionários da Apple Store, que estavam passando pelo local, perceberam o que ocorria, acharam tratar-se de crime e decidiram chamar a polícia.

Investigação. Quanto à investigação policial, sabe-se que os investigadores têm 20 minutos de gravações na área central de Sydney. Elas mostrariam o itinerário do brasileiro e do suspeito do roubo de bolachas.

As explicações mais aguardadas, porém, são as que revelarão se houve consumo de droga e por que pelo menos seis policiais precisaram de armas Taser para deter uma pessoa desarmada. "Também ainda não temos um laudo confirmando que a morte foi causada pelos tiros", diz o cônsul adjunto do Brasil na Austrália, André Luís Costa Souza. Outra dúvida é quanto ao comunicado divulgado pela policia antes de o corpo ser identificado. A descrição diz: 178 cm de altura, de 20 a 30 anos, olhos castanhos e aparência sul-americana. O que significa que Roberto estava sem documentação - algo que chamou atenção dos parentes.

Enquanto a polícia não acrescenta informações, a confusão e os boatos prosseguem. Dois dos principais jornais de Sydney publicaram informações contraditórias. O Daily Telegraph diz que "a vítima passou seus dois últimos dias de vida visitando clubes noturnos e consumindo drogas". O The Sydney Morning Herald diz que "menos de 12h antes de morrer, Roberto marcou um gol pelo seu time de futebol" e seus amigos o consideram um jogador "alegre e saudável".

Enterro. Não há previsão de quando o corpo de Roberto Laudisio deve vir para o Brasil. "Queremos o corpo aqui. A avó dele, de 83 anos, faz questão de o enterro ser aqui, no túmulo da família", disse um parente, que esperava acertar tudo até a missa de sétimo dia, no sábado. No entanto, a polícia informou que só liberará o corpo ao fim das investigações. / JORGE BECHARA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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