Lojas viram espaço até para shows e almoços

Todo sábado, estilista faz caranguejada nos Jardins. Já Fause Haten solta a voz em seu ateliê

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2012 | 03h03

É preciso mais do que servir café e champanhe para conquistar um cliente. Vale cantar, oferecer cursos e até ir para o fogão cozinhar para a clientela, que passa a fazer parte da "família". Em São Paulo, donos de grifes têm usado estratégias inusitadas para reforçar os laços com seus consumidores.

Todos os sábados, a estilista Heloisa Rocha, de 31 anos, deixa de lado o desenho da coleção e vai para a cozinha. Lá, prepara uma caranguejada - receita que aprendeu com sua avó de Natal - e a serve gratuitamente para as pessoas que aparecem em sua loja, a Têca. Localizada em um sobrado nos Jardins, a marca vende roupas assinadas pela estilista, além de peças de brechó e artigos de decoração.

"A ideia é me aproximar dos clientes", explica Heloisa. "Quero que a relação deles com a marca seja maior, não se limite apenas à compra."

A estilista abriu sua primeira loja em 2005, logo depois de ter concluído a Faculdade de Moda Santa Marcelina. Apesar da pouca experiência no comércio, Heloisa vem de uma família de empreendedores de sucesso. Seu avô, Nevaldo Rocha, fundou a Riachuelo, hoje a segunda maior rede de lojas de departamento do Brasil.

"É importante conhecer o gosto do cliente para pensar em coleções mais exclusivas", explica Heloisa. A caranguejada vira então uma desculpa simpática para reunir clientes. "É assim que os clientes viram amigos e criam o hábito de dar sempre uma passadinha na loja."

Música. Estilista conhecido no mundo da moda, Fause Haten costuma fazer pequenos shows em seu ateliê em Pinheiros, na zona oeste. Lá, ele solta o vozeirão, que costuma impressionar a clientela. O estilista já levou seu show para lojas fora da capital paulistana que revendem sua marca.

"Eu agrego valor à grife. Dou mais personalidade à marca", explica Fause, que investe cada vez mais em trabalhos exclusivos e, em uma loja sem vitrine, que atende com hora marcada, faz modelos únicos e sob medida para clientes. "O mercado foi invadido por grifes internacionais, que concorrem com a minha marca em qualidade e preço."

"Com a febre das compras no exterior, a indústria nacional tem de fazer um esforço maior para chamar atenção para a sua marca, mostrando o que tem de diferente e único", diz Alejandro Pinedo, diretor da Interbrand Brasil, um conglomerado de marcas globais. "É uma forma de estar mais presente na vida do consumidor. E isso pode ser fundamental na hora do consumidor se decidir entre uma marca e outra."

Curso. Nem sempre donos das grifes conseguem mimos assim tão personalizados como o de Heloisa e Fause. Há lojas que estreitam a relação com os clientes oferecendo cursos. É o caso da Lilla Ka, grife feminina de roupas que organizou no início do mês um workshop de gastronomia com a banqueteira Tatá Cury, autora do livro Petites Casseroles da Cozinha Francesa. As clientes da marca ganharam uma tarde com a chef e aprenderam duas receitas.

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