Lojas na região da Luz faturam com clientes que fugiam da fumaça

Parte dos comerciantes fechou as portas, mas alguns vendedores abrigaram pedestres, que aproveitaram para fazer compras de Natal

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

21 de dezembro de 2015 | 20h30

Uma parte dos comerciantes das ruas Mauá e José Paulino precisou fechar as portas logo no início do incêndio no Museu da Língua Portuguesa, nesta segunda-feira, 21, para se protegerem da fumaça que tomou o entorno do prédio e a Estação da Luz. 

Mas alguns vendedores, alheios ao que tinha acontecido na unidade cultural, aproveitaram para tirar alguma vantagem da situação com a correria de clientes sufocados para dentro das lojas. A vendedora Josiane Maria da Anunciação, por exemplo, até que tentou fechar a loja de roupa feminina para evitar a fumaça. 

"Não deu porque tinha muita gente querendo sair e mais um monte vindo para se esconder. Achei perigoso e a loja ficou aberta", afirmou. Com a entrada de pessoas, a comerciante aproveitou para vender mais roupas. "O pessoal começou a olhar as roupas, gostar das peças e comecei a vender. Sou vendedora e só sei fazer isso: vender." 

Na loja ao lado, a comerciante Maria Nazaré, de 50 anos, gerente de um comércio de confecção feminina fez os mesmo. "Mal o incêndio começou e a fumaça já tinha invadido. Eu não podia expulsar as compradoras da loja e deixei só metade de um portão como saída. Nisso, muita gente entrou", contou. 

Por volta das 18h30, com a maioria das lojas da Rua José Paulino fechadas, a gerente ainda se despedia da clientela que fugiu da fumaça dentro do comércio e saiu com sacolas de roupas. Entre as compradoras estava Claudia Eduarda de Assis, de 47 anos. Ela disse se escondeu no local porque estava sufocada pela cortina de fumaça branca que cobriu a rua. "Fiquei muito tempo aqui dentro e ainda não tinha finalizado as compras. Aproveitei para levar lembranças de Natal e consegui até desconto." Ela tinha saído de Santos, no litoral paulista, para fazer as compras de final de ano no centro de São Paulo.

Em um estacionamento houve correria de clientes assustados para retirar os carros. O manobrista Joelson Soares Diniz, de 24 anos, explicou que "mal teve tempo de respirar a fumaça", tamanha era a procura de motoristas que, segundo ele, queriam "fugir" do local. "Eu até tentei fechar, mas todo mundo veio ao mesmo tempo. Tinha gente desesperada para tirar logo o carro", lembrou. 

Entre os poucos que lamentaram o incêndio no museu, estava o ambulante Marciano Bahia de Souza, de 67 anos. Na verdade, ele não ficou chateado pela destruição do local, mas sim por não ter registrado o início das chamas. "A bateria do celular acabou e não consegui filmar nada. Eu ia ganhar o dia vendendo as imagens para a televisão."

 

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