LOJAS INCENDIADAS VIRAM ESCONDERIJO DE VICIADOS

Segundo comerciantes, prédio que pegou fogo no mês passado passou a ser frequentado por usuários de drogas; um invasor foi morto pela PM

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2012 | 02h08

Desde que o prédio do antigo Seminário Episcopal da Luz, ocupado por pequenas lojas, pegou fogo, no mês passado, na Rua São Caetano, no centro, usuários de drogas têm invadido o local e usado o imóvel danificado como esconderijo. Na via conhecida como "rua das noivas" por causa da concentração de lojas de vestidos, eles usam drogas e praticam furtos. Comerciantes dizem que mais de dez lojas já foram alvo dos invasores.

Na noite de anteontem, por volta das 23h, um criminoso arrombou a porta de ferro de uma loja de vestidos na Avenida Tiradentes, ao lado do prédio que pegou fogo no dia 10 de novembro. Seguranças chamaram a Polícia Militar. Segundo a versão dos homens do 2.º Batalhão de Choque, eles foram recebidos a tiros por um homem. O suspeito foi baleado e levado para o Hospital Santana, mas morreu.

No local do tiroteio, além das cápsulas de calibre 38 da arma do suspeito, os PMs encontraram três pinos de cocaína e maconha. Em depoimento, um comerciante disse que o prédio passou a ser alvo de invasões por usuários de drogas neste mês.

Dono de uma das lojas incendiadas, a Casa das Noivas, Márcio Casablanca afirmou que o prédio parcialmente destruído também foi alvo de invasões. "Como estão sob o mesmo teto, foram entrando em loja por loja, passando por cima do telhado."

Da Casa das Noivas, os bandidos levaram a única coisa que resistiu ao fogo. "Tinha um corrimão de alumínio, que só derreteu um pouco, que eles levaram." Ele diz que seguranças foram contratados para resolver o problema na área.

A PM informou que vai intensificar o patrulhamento. "Cabe ressaltar a responsabilidade das lojas que, com o incêndio, tiveram suas barreiras físicas fragilizadas", acrescenta, por meio de nota.

Funcionários das lojas reclamam do aumento da circulação de usuários de drogas. "Sempre teve 'noia', mas agora com esse prédio incendiado cheio deles, fico mais preocupada", disse uma mulher.

Interdição. O prédio incendiado pertence à Igreja Católica. A Arquidiocese de São Paulo não respondeu às ligações do Estado questionando sobre as invasões ao prédio tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).

O prédio, construído no século 19, já passava por processo de restauração quando aconteceu o incêndio.

Segundo os comerciantes, apenas quatro lojas do prédio foram reabertas desde o incêndio. Os demais estabelecimentos devem continuar interditados por tempo indeterminado. A solução que os comerciantes encontraram foi reabrir as lojas em outros locais da cidade.

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