Laura Maia/Estadão
Laura Maia/Estadão

Lojas e escola fecham as portas e ônibus são desviados na zona norte

Policiamento foi reforçado na região, que viu novos protestos nesta terça-feira, 29, por conta da morte de outro adolescente por um policial

Laura Maia, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2013 | 13h54

Atualizado às 19h32.

SÃO PAULO - Comerciantes das Avenidas Parque Edu Chaves e Roland Garros, na zona norte, afirmam estar muito apreensivos com a possibilidade de novos ataques na região, depois dos momentos de pânico da noite de segunda-feira, 28, quando a Rodovia Fernão Dias foi fechada e lojas foram atacadas durante protesto pela morte de um jovem baleado por policial militar. “Passaram aqui na rua avisando para a gente fechar tudo que hoje o comércio será atacado”, disse um lojista que preferiu não se identificar. Muitas famílias não levaram seus filhos às escolas no período da manhã desta terça-feira, 29. A Escola Municipal General Júlio Marcondes Salgado chegou a fechar. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, os demais colégios da região estão funcionando normalmente. Nesta tarde, linhas de ônibus estavam fazendo desvios. O policiamento está reforçado.

Quem optou por não fechar totalmente as portas está em alerta. “Estamos funcionando com a porta pela metade. Por enquanto acho que é boato, mas estamos em alerta”, disse um funcionário de uma loja de roupas. Com medo de ataques, funcionários de uma farmácia ao lado de uma loja de roupa atacada na segunda-feira retiravam as mercadorias e colocavam no carro. Uma moradora disse que há boatos de que os ataques podem durar ate sexta-feira. “A gente não sabe se irá acontecer, mas hoje deram uma espécie de toque de recolher.”

Escolas. A Secretaria Municipal de Educação informou que as escolas da região estão funcionando normalmente, com exceção da Escola Municipal General Júlio Marcondes Salgado, que optou por dispensar os alunos e fechar as portas. Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, a Diretoria Regional de Ensino Jaçanã Tremembé determinou que a escola apresente um plano de reposição de aulas. 

 De acordo com duas crianças que vestiam uniformes escolares, essa escola dispensou os alunos por causa de possíveis saques. "Disseram para a gente que vai ter aula, mas que não ia contar falta. Preferimos voltar", disse um aluno do 6.º ano, que pediu para não ser identificado.

Ônibus. Linhas servidas por ônibus da Viação Sambaíba com destino ao Parque Edu Chaves estavam desviando por volta das 15h para a garagem da empresa, na Avenida João Simão de Castro, usando-a como ponto final de seus trajetos. De acordo com a SPTrans, quatro linhas eram afetadas: 2123 (Vila Medeiros-Metrô Liberdade), 271C (Parque Vila Maria-Terminal Princesa Isabel), 272N (Parque Novo Mundo-Parque Dom Pedro II) e 271M (Parque Novo Mundo-Metrô Santana).

A situação de medo ocorre depois que violentos protestos contra a morte do adolescente Douglas Martins Rodrigues, de 17 anos, por um policial militar, no domingo, fecharam a Rodovia Fernão Dias e provocaram uma onda de destruição no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo. 

Ônibus e caminhões foram incendiados e lojas, saqueadas. A manifestação começou por volta das 18 horas, depois do enterro de Douglas. Os dois sentidos da rodovia foram fechados e ao menos seis ônibus intermunicipais e três caminhões foram incendiados.

Homens armados obrigaram passageiros e motoristas a descer dos veículos. Segundo a polícia, durante um saque a uma loja na Avenida Milton da Rocha, na Vila Medeiros, criminosos acertaram um pedestre no abdômen. Ele foi internado no Hospital São Luis Gonzaga, onde passou por cirurgia. Mas hoje ele passa bem.

Outra morte. Um adolescente foi morto na manhã desta terça-feira, 29, por um policial no Parque Novo Mundo, o que deu início a novos protestos na zona norte da Capital. Moradores do bairro queimaram pneus e bloquearam a Avenida Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira.

De acordo com a Polícia Militar, um PM à paisana seguia no próprio veículo para trabalhar na Operação Delegada quando se perdeu e acabou dentro da comunidade Bela Vista.

Dois homens abordaram o policial em um suposto assalto. O PM reagiu, baleando e matando um adolescente.

Depois disso, a comunidade se revoltou e protestou no começo da tarde. Cerca de 150 pessoas pretendiam fechar a Marginal do Tietê, mas o protesto se dispersou após a chegada da Rota e do helicóptero Águia.

O caso seria registrado no 90 DP. / COLABORARAM CAIO DO VALLE E BARBARA FERREIRA SANTOS

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