Lojas de ouro do centro estão na mira da polícia

Objetivo é identificar os receptadores de joias e relógios roubados em lojas de shoppings; neste ano, foram 11 assaltos

Cristiane Bomfim e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2010 | 00h00

Lojas que compram e vendem produtos de ouro na capital paulista são investigadas pela Delegacia de Repressão a Roubo de Joias do Departamento de Investigações do Crime Organizado (Deic) da Polícia Civil. Os policiais procuram os receptadores do material roubado nos 11 assaltos a joalherias de shoppings em São Paulo neste ano.

Segundo o delegado José Antônio do Nascimento, titular do Deic, até agora, pelo menos 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Os comércios irregulares, conhecidos como "bocas de porco" são os principais alvos da polícia, mas o delegado não descarta a participação de grandes joalherias nos assaltos. Neste ano, 18 pessoas foram presas pelos roubos aos shoppings e outras 11, identificadas. Nenhum receptador foi detido.

A dificuldade está na descaracterização das joias: elas são derretidas e recolocadas no mercado como originais. Por não exigir nota fiscal nem certificado de procedência das peças, o comércio informal de ouro atrai a atenção de criminosos.

As "bocas de porco" ficam nas Ruas Barão de Itapetininga, Direita e São Bento. Nenhum negociante exige documentos. "Não precisa. Só quero saber se é ouro de verdade", disse um comerciante da Barão de Itapetininga que se apresenta como Roberto.

Diante do aumento de assaltos, a Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping (Alshop) vai pedir a criação de uma delegacia especializada em shoppings centers. A possibilidade foi discutida ontem durante o 1.º Fórum de Seguranças em Shoppings e Perda no Varejo, organizado pela entidade.

Mas, para Nascimento, a medida não é viável. "Uma delegacia especializada em shoppings terá de ser especializada em roubos de joias, de banco, em crimes raciais. Hoje existem várias delegacias especializadas que atendem as necessidades dos shoppings."

PRESTE ATENÇÃO

1. Caso não tenha guardado a nota fiscal de uma joia que pretende vender, leve RG e comprovante de endereço.

2. Antes de vender uma joia a uma pessoa desconhecida, leve a peça a uma joalheria de confiança para ser avaliada.

3. Se for comprar uma joia, procure um joalheiro que tenha CNPJ e dê nota fiscal.

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