Reprodução Facebook
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Loja da Oscar Freire é acusada de racismo

Funcionária da grife Animale teria expulsado garoto de 8 anos da calçada, no último sábado; pai denunciou no Facebook

Edison Veiga e Giovana Romani, O Estado de S. Paulo

31 Março 2015 | 19h25

Atualizada às 23h32

A loja da marca Animale na Rua Oscar Freire, nos Jardins, zona sul de São Paulo, é acusada de ter expulsado, por racismo, um garoto de 8 anos que estava na calçada na frente de sua fachada. O relato, publicado pelo pai do menino numa rede social, teve grande repercussão entre internautas. 

“O meu filho e eu fomos expulsos da frente desta loja enquanto eu fazia uma ligação (telefônica) porque, em certos lugares em São Paulo, a pele do seu filho não pode ter a cor errada”, postou Jonathan Duran, americano que trabalha no mercado financeiro, radicado no Brasil há 19 anos, morador da zona oeste da cidade. Por sugestão de uma amiga, ele tornou a postagem pública e logo recebeu o apoio de milhares de pessoas indignadas com o ocorrido - até as 19h30 desta terça-feira, 31, já eram mais de 2,5 mil compartilhamentos. 

De acordo com Duran, seu filho de 8 anos foi vítima de racismo na porta da Animale no último sábado. Ele passeava pela região da Oscar Freire com o filho e a mulher, a assistente social Ednilce Duran. “Ela estava em uma loja de sapatos e eu e meu filho fomos comprar sorvete. Como nos desencontramos, paramos na porta da loja para ligar para ela”, contou. “Foi quando uma vendedora saiu, olhou para meu filho e disse: ‘Ele não pode vender essas coisas aqui’. Fiquei sem reação e fomos embora.” Duran disse que, revoltado, chegou a voltar à loja, mas, ignorado pela funcionária, achou melhor sair sem brigar.


Ele não registrou boletim de ocorrência e afirmou que não pretende processar a marca. “Isso leva muito tempo e preferi levantar a questão de outra forma.” Procurada, a Animale informou, por meio de nota, “que já entrou em contato com Jonathan Duran e reitera que repudia qualquer ato de discriminação”. Quando o Estado perguntou o que foi dito nesse contato ou quais medidas a loja pretende adotar para coibir novos atos do tipo, a assessoria simplesmente afirmou que “a Animale repudia qualquer ato de discriminação e o evento está sendo apurado internamente”.

A família Duran ainda aguarda um pedido de desculpas oficial. “Não está nada resolvido. Abri um diálogo com eles, mas me decepcionei novamente com a postura da empresa. O pedido foi fraco”, afirmou o pai.

Em nota postada na página da grife no Facebook, a Animale disse que “sempre se posicionou de forma democrática em todas as sua expressões”. Convidou ainda os clientes para conhecerem as lojas, que têm, segundo a empresa, “uma grande equipe formada por profissionais das mais diversas etnias, orientações sexuais e credos. Sem limitações de imagens perfeitas impostas pela moda.”

“Está claro que foi um texto escrito por advogados para não comprometer a imagem da marca”, disse Duran sobre a resposta. Para ele, o racismo no Brasil ocorre de maneira velada e deve ser discutido. “Meu filho não entende. No mundo dele, de classe média, tem poucos negros. Mas sou da Luisiana, Estado americano que tem muitos negros. Em uma viagem recente para lá, ele me disse: ‘Eu gosto daqui porque tem muita gente marrom’.”

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