Local revela falta de tradição do convívio entre diferentes

Análise: Fábio Mariz Gonçalves

É URBANISTA, PROFESSOR DA FAU/USP, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2013 | 02h01

A Praça Roosevelt é o espaço público do momento. Talvez seja o espaço público mais emblemático, o que revela melhor as dificuldades em gerir espaços em uma sociedade desigual e com pouca tradição de convívio entre os diferentes.

Todos os espaços livres públicos têm regras de uso. Em nenhum país as regras que disciplinam o uso desses locais são imutáveis e fixas. Pelo contrário, são fruto da construção social de acordos temporários de convivência.

Problemas existem em todos os espaços, em todas as cidades e em todos os países, contudo na nossa cidade, especialmente no seu centro, o problema é especialmente complexo. A equação é sempre a mesma: quanto mais heterogêneos e diversificados forem os moradores da área, mais conflituosa e difícil será a gestão; quanto mais fácil e democrático o acesso ao lugar, maiores as dificuldades.

Nos últimos cinco anos, o mercado imobiliário redescobriu o centro da capital. Ter mais moradores é melhor para todos, para quem lá mora, para quem frequenta e para toda a sociedade. Cabe ao Estado mostrar que é capaz de mediar um acordo de convivência entre todos.

A Prefeitura tem de mostrar que é capaz de gerir espaços usados por diferentes cidadãos. Skatistas, prostitutas, moradores, visitantes, jovens e velhos podem conviver com respeito e cidadania. Há a possibilidade de estabelecer regras e de fazer a gestão sem truculência. Sem restrição do acesso de qualquer tipo de cidadão.

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