Local não tem câmera nem lista de visitantes

Vigilância pouco rigorosa pode ter facilitado o acesso dos criminosos

O Estado de S.Paulo

31 Março 2012 | 03h06

O condomínio Chácara do Peroba, na divisa de Jandira com Barueri, onde viviam o empresário Nemias Domingos da Silva e a engenheira Dafne Filellini, foi um alvo fácil para os criminosos. Mesmo com portaria, não há controle de acesso ou vigilância com câmeras para detectar a presença de pessoas estranhas no local.

Segundo o corretor responsável pelo imóvel onde vivia o casal, Maurício Monteiro, de 53 anos, o bairro é tranquilo, de classe média alta, e não há registros de assaltos. A vigilância privada fazia rondas esporádicas. Além disso, como a casa fica em um local afastado, vizinhos não ouviram a ação dos bandidos. A cerca elétrica não foi suficiente para impedi-los de invadir o local.

Pessoas que passam pelo bairro diariamente dizem que se trata de uma área tranquila. "Aqui ninguém nunca ouviu falar em assaltos", afirmou a doméstica Selma Silva, de 42 anos.

O empresário e a engenheira moravam por lá havia cinco anos. A casa era alugada por R$ 3,5 mil mensais e pertencia a pessoas que vivem no interior do Estado. O imóvel - de alvenaria e madeira, pré-fabricado, em estilo colonial - é ajardinado e estava avaliado em aproximadamente R$ 700 mil. O casal pretendia comprá-lo. Na casa, Silva e Dafne criavam oito cães, separados em dois canis. Eram algumas das paixões deles.

Bandidos. Todos os envolvidos no crime já tinham ficha criminal, incluindo o suposto mentor da ação. Eles já foram indiciados por furto e roubo, exceto Silvania Araújo de Souza, que tinha passagem apenas por tráfico de entorpecentes. Os bandidos viviam no Jardim Gabriela 2, em Jandira, bairro conhecido como reduto do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que atua no Estado de São Paulo.

Durante a ação, eles picharam na parede do banheiro da casa "PCC, é 'nóis' que domina tudo". Segundo o comandante da Guarda Civil Metropolitana de Jandira, Clóvis Castro, responsável pela prisão, Joel Antonio Vieira, de 32 anos, um dos integrantes do bando, já passou cerca de 10 anos preso na Penitenciária de Presidente Bernardes - que concentra algumas das principais lideranças do crime organizado no Estado.

A delegada Patrícia Barros, à frente da investigação, disse ontem, porém, que a pichação no banheiro foi feita pelo mais jovem do bando, Wesley Freire de Sales, de 21 anos, apenas para distrair a polícia, e que a quadrilha não teria ligação com a facção criminosa. Segundo o comandante da Guarda Municipal de Jandira, os bandidos não ofereceram resistência à prisão, no início da madrugada.

Sem encontrar o dinheiro e as armas, os criminosos levaram da residência mantimentos como pacotes abertos de macarrão, latas de sardinha, cervejas e chás. Também roubaram dois teclados, lavadoras de alta pressão e produtos eletroeletrônicos, além dos dois carros.

O delegado seccional de Carapicuíba, Albano Fernandes, não descartou a possibilidade de outras pessoas estarem envolvidas no crime. Ele disse que as investigações deverão prosseguir, mas que a motivação foi esclarecida e que os principais suspeitos estão detidos. "Samuel deu as informações e Silas arregimentou os demais." Os bandidos seriam encaminhados ainda ontem para a Cadeia Pública de Carapicuíba. / WILLIAM CARDOSO

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