Gerson Monteiro
Gerson Monteiro

Local foi indicado para receber seleção na Copa

'Dano será maior com demolição', afirma prefeita da cidade, que deu alvará de funcionamento ao hotel e defende legislação ambiental mais 'flexível'

Fábio Mazzitelli e Gerson Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2011 | 00h00

Inaugurado no ano passado, o Blue Mountain abre a segunda temporada neste feriado de Corpus Christi interessado apenas em divulgar o ambiente sofisticado e as comodidades do resort. A sentença que determinou a demolição do hotel virou tabu entre os cerca de cem funcionários, expressamente proibidos pela direção de falar sobre o processo judicial e as questões ambientais envolvidas na obra.

Na visita feita pela reportagem do Estado, a abordagem inicial do chefe de recepção, Fernando Zanerato, frisou o luxo e a localização privilegiada. O hotel, que foi erguido entre 2002 e 2008, custou cerca de R$ 25 milhões. "Toda a água utilizada aqui é mineral, até na piscina", diz Zanerato. Perto do hotel há 13 nascentes, daí a exploração abundante do recurso. As bordas da piscina de água mineral são aquecidas, com vista panorâmica da Serra da Mantiqueira. O spa oferece massagens e terapias. A adega tem mais de 1.300 vinhos, com custo médio de R$ 1,8 mil.

O Blue Mountain recebeu a classificação "cinco estrelas plus" da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis. O pacote de quatro noites para casal no feriado de Corpus Christi varia de R$ 6,3 mil a R$ 25 mil.

Danos. Apesar da decisão judicial que determinou sua demolição, a prefeita de Campos do Jordão, Ana Cristina Machado César (PPS), defende o funcionamento do hotel. Para receber hóspedes, o empreendimento precisou de alvará da prefeitura. "Só a quantidade de entulho retirado em uma demolição causaria mais dano ambiental do que deixar o hotel funcionando do jeito que está", diz Ana Cristina.

A prefeita usou o empreendimento de luxo para fazer propaganda da rede hoteleira de Campos. Em abril, o Blue Mountain foi listado ao Comitê Organizador da Copa 2014 como um dos três hotéis da cidade que poderiam abrigar uma seleção de futebol durante o evento. "O Blue Mountain gera empregos e é um dos mais luxuosos do País."

"Campos não tem mais para onde crescer. Congelei áreas invadidas, comprei uma grande briga com a população, mas não tenho onde colocá-los agora. Todo lugar onde se pensa construir algo é topo de morro ou beira de rio", reclama Ana Cristina. "Não pode abrir muito (para construções), mas também não pode ser radical (com a questão ambiental). Tem de ser mais flexível."

Mais de dois terços da área da cidade estão protegidos por leis ambientais. "Um terço do município é parque estadual e não tenho benefício com isso. Os custos para instalar indústria são tão altos que não há interesse."

A 500 metros do Blue Mountain, localizado a mais de 1.700 metros de altitude, um dos topos de morro mais altos da cidade, placas indicam que a área verde é preservada pelo grupo de investidores. Do gramado, no entanto, pode-se avistar a divisa da área de mais de 240 mil m² do hotel e aí o contraste da vegetação fica evidente: a mata preservada do terreno vizinho tem imensas árvores e um tom verde mais forte.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.