Locadoras resistem à web. E ainda crescem

Após retração, mercado registra aumento de 5% no nº de clientes e lojas voltam a atrair cinéfilos

MARCELA RODRIGUES SILVA, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2011 | 03h04

O estudante de Direito Leandro Augusto Marinho, de 28 anos, assiste a cerca de 15 filmes por mês. Ele dispensa a comodidade de baixar o título pela internet para alugar o DVD. A poucos metros de sua casa, em Pinheiros, na zona oeste, a locadora S'Different tem o catálogo dos seus sonhos e atendimento personalizado. "As atendentes entendem de cinema e dão dicas."

Apesar dos 5 mil títulos, o aluguel de filme deixou de ser o carro-chefe do estabelecimento há pelo menos 3 anos. A proprietária, Ana Maria Mazzo, incorporou ao espaço discos de vinil, livros e filmes para venda. Mais recentemente, criou um café-bistrô temático. "É um espaço cultural. Promovemos debates e as pessoas podem ler e conversar sobre cinema", diz ela.

Contrariando as apostas de que as locadoras fechariam as portas com o surgimento de novas ferramentas, mais baratas e cômodas, para assistir a um filme, as lojas que sobreviveram aos altos e baixos do mercado colhem os frutos da resistência. As 2 mil locadoras do Estado de São Paulo não poupam criatividade para conquistar os cinéfilos. E tem dado certo.

De acordo com Luciano Tadeu Damiani, de 49 anos, presidente do Sindicato das Empresas Videolocadoras do Estado de São Paulo, entre 2008 e 2009, metade das 4 mil locadoras do Estado fechou. Mas, no ano passado, o mercado reaqueceu e registrou aumento de cerca de 5% no movimento de clientes.

"Mantiveram-se as que investiram na qualidade, adaptaram-se à tecnologia e ousaram na criatividade para oferecer mais que um filme", diz Damiani, dono de locadora há 26 anos. A pirataria foi uma das principais vilãs. Damiani também fechou uma de suas duas locadoras. A que sobreviveu, no Alto da Lapa, zona oeste, tem seções por diretores e nacionalidades e até games. "O público que continua frequentando locadoras é mais crítico."

A 2001 Vídeo, uma das maiores e mais antigas redes de locadoras da cidade, comemora a abertura, em janeiro, de sua 7.ª loja, na Rua Estados Unidos, nos Jardins. A rede soma mais de 15 mil títulos em DVDs e Blu-Rays, 4 mil livros temáticos e 60 mil outros produtos à venda nas lojas e online. A 2001 tem mais de 120 mil clientes.

A nova loja, de 280m², tem livros sobre cinema, espaço gourmet de café, área infantil, lounge com Wi-Fi gratuito e equipe especializada. "Sentimos o mercado estável, a clientela aumentando e a região estava carente de locadoras", explica Sônia Abreu, uma das sócias. Ela investe também em eventos culturais.

Público cativo. Frequentadora de locadoras há mais de 20 anos, Elizete Moura Santos, de 49, não abre mão do contato com o DVD e de ler a sinopse. "Além de não ter tempo para baixar filmes, poder pegar o DVD e o atendimento me atraem."

Para Augusto Medeiros, diretor de Marketing da distribuidora Imovision, "hoje a concorrência está menor e cada loja pode investir em seu estilo". Mas ele aponta a web como a futura ameaça. "Já é possível baixar filmes de qualidade na internet."

Segundo empresários do setor, no entanto, a tecnologia é motivo de otimismo. O Blu-Ray e o 3D devem atrair mais clientes às locadoras. "A alta definição não pode ser oferecida pela pirataria", diz Sidnei Souza, proprietário da Video Norte, com lojas em Guarulhos e na Freguesia do Ó, zona norte da capital. Em suas lojas, ele tem área infantil e guloseimas. "O importante é nunca ir contra a tecnologia."

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