Daniel Almeida/Divulgação
Daniel Almeida/Divulgação

Livros aproximam crianças de prédios históricos e espaços públicos de SP

Obras 'Prédios de São Paulo para Crianças' e 'Casacadabra 2' querem que pequenos leitores compartilhem experiência com parentes e amigos e saiam às ruas para conhecer a capital paulista

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2018 | 18h00

SÃO PAULO - “Era uma vez uma cidade feita de prédios.” Em tom de fábula (ou caça ao tesouro), o livro Prédios de São Paulo para Crianças reconta parte da história de algumas das construções mais conhecidas da capital paulista, como o Teatro Municipal, o Edifício Martinelli e a Catedral da Sé. Tudo isso, com um guia particular: o cão Miro, da raça rastreador brasileiro. 

O livro infanto-juvenil foi lançado neste sábado, 11, no Centro Cultural Banco do Brasil, que é retratado na obra. Ele é idealizado por Matteo Gavazzi, responsável pelos três volumes da série Prédios de São Paulo, que divide a autoria com a jornalista Tatiana Engelbrecht. As ilustrações são de Daniel Almeida.

“A ideia é fazer com que crianças, juntamente com os pais, os parentes e os amigos, se apropriem da cidade, saibam que tem muita coisa bacana no centro”, explica Gavazzi. Para isso, o cão Miro lidera os leitores em dois roteiros pela região, que são pensados para serem percorridos a pé sem grandes esforços. 

Em livro, cachorro conta curiosidades sobre a cidade de São Paulo

Pelo caminho, Miro conta curiosidades, como a inauguração do Teatro Municipal ter possivelmente causado o primeiro congestionamento da cidade e, até, o período em que a editora de Monteiro Lobato funcionou no Palacete São Paulo. 

“Você reparou que parece ter outra construção pousada no topo, com uma cor diferente? Sabe por quê? Para provar que o prédio era seguro e não iria desabar”, narra o cão sobre o Edifício Martinelli.

Segundo Gavazzi, o livro propõe um “passeio interativo” pela capital paulista. “A ideia é contar a história dos prédios, relatar curiosidades, segredos, e também incentivar o olhar. A arquitetura é o ponto de fundo do livro para entender uma história bacana.”

Para o autor, contudo, a aproximação das crianças com os prédios históricos da cidade é uma forma também de valorizar o patrimônio. “Conhecer esses prédios é uma viagem no tempo. A criança não conhece esse tipo de referência senão de filmes e coisas do tipo”, diz. 

Já Tatiana Engelbrecht ressalta que o centro ainda é pouco visto como uma opção de passeio em família. “É um livro sobre a descoberta da cidade, viver a cidade, visitar um lugar tão importante que é pouco visitado.”

Além disso, cada capítulo pode ser lido de forma independente, até mesmo por adultos. Em meio às curiosidades, eventualmente Miro comenta sobre a situação do lugar. “Ele bem que merecia um trato, mas ainda tem seu charme”, comenta o personagem sobre o Edifício Augusto Gazeau, por exemplo.

Segundo 'Casacadabra' leva conceitos do urbanismo para crianças

Há cerca de três anos, a jornalista Simone Sayegh chegou a procurar livros que aproximassem crianças com temas da cidade, mas não teve êxito. “Achei estranho não existir”, conta. Por isso, começou a desenvolver o projeto do primeiro livro Casacadabra: Invenções para Morar, juntamente com a também jornalista Bianca Antunes. A obra foi lançada em 2016 e conta a história de dez residências no Brasil e no exterior, como a paulistana Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi, por exemplo.

“Existe essa lacuna, mas não só para a criança, mas também para o cidadão em geral”, comenta Simone, que também ministra oficinas de arquitetura para o público infantil. 

Em novembro, as duas autoras lançarão mais um livro, o Casacadabra 2: Cidades para Brincar, focado em temas do urbanismo, trazendo exemplos como a abertura da Avenida Paulista para pedestres no domingo e o parque High Line, em Nova York. “Ele pretende levar a criança para a cidade. A criança vive na cidade, mas não está nela”, defende.

Assim como o Prédios de São Paulo, o Casacadabra 2 também tem personagens que funcionam como guias, que no caso são a menina Lina (inspirada em Lina Bo Bardi) e a capivara Tiê.

No livro, cada capítulo traz um exercício, como, por exemplo, fotografar todos os itens de mobiliário urbano da região em que mora, do banco de praça ao telefone público. “Antigamente a criança vivia na rua, e isso foi tirado. A gente está querendo levar crianças de volta para a rua.”

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