Livro sobre João Gilberto é liberado

Juiz nega apreensão de biografia não autorizada

O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h06

Um dos mais reclusos astros da Música Popular Brasileira vai continuar a ter sua vida contada nas livrarias. A 9.ª Vara Cível de São Paulo manteve a venda da biografia do cantor e compositor João Gilberto. O músico alega que a obra, que leva seu nome e não foi autorizada, invade sua intimidade e o expõe de forma inadequada, o que justificaria o recolhimento dos exemplares. Já o juiz Guilherme Santarelli Zualiani negou a solicitação, alegando que "a biografia é uma obra de informação e, como tal, deverá ser admitida, ainda que sem consentimento do biografado".

Nos últimos anos, João Gilberto tem feito raríssimas apresentações, pouco sai e tem evitado qualquer tipo de publicidade ou entrevista. Um dos poucos relatos recentes sobre a rotina do cantor aparece no livro organizado por Walter Garcia, professor do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP). A obra usa antigas entrevistas dadas por João Gilberto, ao lado de depoimentos de músicos, parceiros e jornalistas, para construir a narrativa.

Como consta no processo, "o livro foi criado no intuito de unificar tudo o que publicamente já se escreveu de importante sobre o artista". Consta ainda na decisão que "não há como reconhecer lesão à honra, à imagem ou à intimidade do autor". João Gilberto se insurge, por exemplo, com a qualificação de "neurótico" dada a ele em determinado episódio. Para Zualiani, "o vocábulo não ganha o sentido de doença mental, mas de excentricidade de músicos e artistas (esquisitices), o que não é depreciativo". "O episódio, para ficar em apenas um dos detalhes da causa, não é suficiente para justificar um veto ao acesso do público, como se fosse causa de uma censura." O mérito da ação, que ainda cita a Editora Cosac & Naify, ainda não tem data para ser julgado.

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