Livro revela caminhos da marquesa de Santos em SP

Obra resgata história e derruba algumas falsas verdades sobre amante de d. Pedro I

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2013 | 02h01

Ela nasceu e morreu em São Paulo, apesar de ter protagonizado momentos no Rio, ao lado do imperador d. Pedro I. Domitila de Castro Canto e Melo (1797-1867), a marquesa de Santos, principal amante do imperador, foi uma personagem influente e polêmica, capaz de despertar admiração e ódio em doses intensas. Mais de 150 anos após sua morte, sua presença ainda pode ser notada na capital paulista.

Exemplos conhecidos são o Solar da Marquesa - casarão perto do Pátio do Colégio, onde a marquesa viveu a partir de 1834 - e o Cemitério da Consolação, onde está sepultada.

Há, no entanto, endereços mais inusitados. "A Capela do Menino Jesus de Praga e de Santa Luzia, na Rua Tabatinguera, é um ponto que ficava perto da Fonte de Santa Luzia, que não existe mais. No local, ela foi esfaqueada pelo primeiro marido, o alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça", conta o historiador e arquiteto Paulo Rezzutti, integrante de Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e autor do recém-lançado Domitila - A Verdadeira História da Marquesa de Santos (Geração Editorial, 352 páginas, R$ 39,90).

No centro da cidade, a Rua José Bonifácio também tem ligação com a história da Domitila. Lá ficava a casa onde ela morou quando era casada com Felício. "Na época, chamava-se Rua do Ouvidor", lembra Rezzutti.

Preservação. Sede do Museu da Cidade de São Paulo, o Solar da Marquesa de Santos mantém em exposição móveis que pertenceram a Domitila. Ali, podem ser vistos, por exemplo, a cama da marquesa - provavelmente trazida de seu palacete no Rio no período em que ela, amante do imperador, morou na então capital do Brasil -, um mobiliário para chá em madeira com apliques de madrepérola e um canapé de palhinha.

Em seu túmulo no Cemitério da Consolação, uma placa a aponta como doadora do terreno. Rezzutti desmente a história. "Ao se estudar as Atas da Câmara, observa-se que uma parte das terras onde o cemitério foi construído era pública e o restante pertencia a Marciano Pires de Oliveira, que tinha uma chácara no local."

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