LIVRO DE FOTOS RESGATA 'ALMA' DO IBIRAPUERA

A convite de uma editora, 12 profissionais mostraram sua visão do parque

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2013 | 02h05

As curvas da arquitetura de Oscar Niemeyer, o oásis verde no meio da selva de pedra, as pessoas, as árvores, as lembranças. Cada qual tem seu jeito de expressar o carinho pelo Parque do Ibirapuera, cartão-postal paulistano, a mais visitada área verde de São Paulo. Doze dessas expressões, em uma coleção de belas imagens, estão no recém-lançado livro Imagens do Parque Ibirapuera (Decor Books, R$ 169).

A editora convidou 12 fotógrafos para traduzir, em seus enquadramentos e ângulos, a alma do parque. Como o Ibirapuera é um desses lugares que trazem memórias afetivas a quase todo paulistano, a emoção de cada um se revela nas fotos. "Foram dois dias de ensaio, mas parecia que eu fotografei o parque por 20 anos", conta Marcio Scavone, um dos participantes. "Tenho 59 anos. O Ibirapuera tem 58. Mas eu, que sempre vivi ali na região, tenho a impressão de que me lembro da inauguração, da chuva de papel prata, da algazarra danada que aconteceu na São Paulo daquele tempo."

Scavone ressalta que o Ibirapuera é sua primeira memória. Mas não só sua. "Meus três filhos cresceram andando de bicicleta no parque. Por isso, minhas fotos têm a metafísica do tempo."

Angelo Pastorello, outro fotógrafo convidado a integrar o projeto, fez um mix de técnicas. "Misturei processos, fotografei o parque aleatoriamente, usei câmera digital e de filme. De tudo isso, procurei tirar uma unidade estética", conta. Em algumas das fotos, aparece uma bailarina, Anita Wicher, que parece combinar, com a leveza de seus movimentos, com a sinuosidade dos prédios concebidos por Oscar Niemeyer, como a Oca. "Eu já tinha feito fotos dela no Ibirapuera antes. Então, quando recebi o convite, achei que seria uma oportunidade de desenvolver mais essa ideia", afirma Pastorello.

Mas não ficou só nisso. Ele também retratou um Mustang parado no estacionamento e se dedicou a enquadrar o Planetário. "Peguei lugares que emocionalmente são importantes para mim", conta. "Ma sou fotógrafo, não tenho muito como explicar em palavras. Prefiro que a imagem seja mais importante do que o discurso, que fale por si só." Nesse caso, vale o velho clichê: uma imagem vale por mil palavras.

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