''Living expandido'': a nova arma do mercado para atrair os paulistanos

A arquiteta Patrícia Anastassiadis, especialista em decorar estandes imobiliários, sugere no empreendimento Maison La Frontiere, na Vila Olímpia, que o futuro proprietário feche a varanda e faça um prolongamento do living. Patrícia envidraçou a área e a decorou com sofá, tapete e mesinha de centro. "Hoje, grande parte dos compradores conta com a extensão do living", diz.

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2010 | 00h00

No folheto promocional do Versatille, lançado em Pinheiros, a varanda é chamada de "living expandido". Na ilustração da planta, os quartos, a sala e até a cozinha dão para a varanda, o que deixa a possibilidade de "expandir" o apartamento todo. "É um novo conceito de planta. A varanda é comunitária", diz um dos corretores. Os incorporadores afirmam que essas megavarandas são uma "tendência de mercado". "100% dos nossos lançamentos têm", diz Rosane Pinheiro, diretora de incorporação da Cyrella. O da Esser, Nick Dagan, afirma que "quem manda é o cliente" e ele quer varanda.

A questão é: se tem tanta gente querendo (e fechando) varanda, por que o incorporador já não a entrega fechada? Oficialmente, eles dizem que é "para dar opção ao comprador". Mas existe um outro motivo: de acordo com o Código de Obras, de 1992, se a varanda tem o equivalente a até 10% da metragem do apartamento, ela é considerada "área não computável" pela Prefeitura.

Então, em um prédio de dez apartamentos de 250m² e varandas de 25 m², "sobram" 250m² de área não computável (o equivalente a um apartamento). Esse excedente pode ser distribuído pelas dez unidades. Assim, é possível reduzir a sala de 50m² para 25m² e ficar com o mesmo tamanho, pois outros 25m² serão "expandidos" na varanda fechada. Por sua vez, os 25m² cortados da sala podem ser distribuídos pelos outros cômodos.

Envidraçamento. "Posso dizer que, nos últimos dois anos, a procura pelos nossos serviços triplicou", diz o empresário Alexandre Furtado, da Vetro System, líder no mercado de envidraçamento de varandas, com cerca de 350 mil m² instalados na capital. Em média, o serviço custa R$ 600 o m².

Apesar de reconhecer a importância da varanda nas vendas, os incorporadores preferem não se aprofundar no assunto "área não computável"; se falam disso, não querem ser identificados. Um deles reconhece que "o espaço das varandas, cada vez maior e mais profundo, quase duplica a área do living".

Especialistas no ramo imobiliário, por sua vez, afirmam que não têm notícias de fiscalização desses ganhos. "A Prefeitura não tem condição de ir de apartamento em apartamento para verificar se as medidas conferem. Nunca soube de um caso", diz o assessor jurídico do Secovi, João Paulo Rossi. Consultada, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras não se pronunciou.

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