Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Linha de trem subterrânea permitirá criar avenida entre Osasco, SP e ABC

Projeto da CPTM estabelece ligação metropolitana, que pode ser bancada pelo Estado; não há prazo e experts questionam a viabilidade

Eduardo Reina, Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2010 | 00h00

A nova avenida que está prevista para ser construída no local dos 12 quilômetros de linha ferroviária que serão aterrados entre a Lapa e o Brás será uma nova ligação metropolitana. Um estudo contratado pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) prevê que a via deverá ligar as Marginais do Tietê e do Pinheiros, na altura da região da Lapa, ao ABC paulista, passando pelo centro de São Paulo.

 

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O projeto da CPTM prevê que os trilhos sejam enterrados apenas entre as Estações Lapa e Luz, enquanto a avenida se prolongaria tanto para leste quanto para oeste. De um lado, ela se conectaria às Avenidas Edgar Facó e Alexandre Mackenzie, que dão acesso a cidades como Caieiras, Franco da Rocha e Osasco. Do outro, ela seguiria até a Avenida Presidente Wilson, que liga São Paulo ao ABC.

Essa ligação fará parte do Sistema Viário de Interesse Metropolitano, plano criado por decreto estadual em 2006 que prevê investimentos de R$ 4,3 bilhões para adequar vias expressas e estruturais das cidades da Região Metropolitana em um sistema interligado e planejado de transporte. "Como a via faz parte do sistema, o próprio Estado poderá contribuir financeiramente para a execução das obras", diz Pedro Taddei Neto, professor da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do projeto.

Os estudos das operações urbanas lançadas na área pela Prefeitura de São Paulo recentemente deverão estar integrados com o planejamento da CPTM para a área, pois envolvem o enterramento dos trilhos. Os projetos municipais, que incluem a demolição do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, deverão estar prontos até 2011, mas não há prazo para que as obras comecem.

Viabilidade. A construção do Ferroanel - uma espécie de ferradura ao redor da zona sul da capital que poderá tirar os trens de carga das linhas da CPTM que cortam a cidade - deverá facilitar o enterramento dos trilhos. "A adoção do Ferroanel já está em negociação entre o governo federal e do Estado. O projeto deverá ficar pronto em 2011", diz o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

Especialistas em obras de grande porte, no entanto, questionam a viabilidade técnica e financeira do projeto. Para o engenheiro e professor da Escola Politécnica da USP Telmo Giolito Porto, ele pode ser impedido pela alta declividade necessária para rebaixar os trilhos. "A rampa ferroviária só pode ter inclinações leves, de 2%. O túnel ficaria muito longo e é preciso analisar se caberia ali", disse.

Custos. Ainda não há estimativa oficial para os custos das obras, mas Telmo Porto estima que o enterramento, a construção da avenida e a demolição do Minhocão custariam cerca de R$ 4 bilhões - 80% disso só para enterrar as linhas. "É um projeto que tem importância social, mas envolve grandes recursos públicos."

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