Linha 4 terá túnel para manobra de trens

Escolha de empresa para prolongamento ocorre hoje; concorrência envolve pré-qualificação para obras futuras

Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

Seis anos depois de iniciada e já com 12,8 km de túnel escavados e concluídos no ano passado, a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) vai agora fazer o projeto para furar uma continuidade da Linha4-Amarela. Será um prolongamento de 1,5 km a partir do já existente túnel de acesso ao Pátio Vila Sônia até a Rua David Matarasso, no Jardim Monte Kemel, zona oeste da capital. Ele servirá para as manobras de trens.

A escolha da empresa que fará os estudos técnicos e sondagens do solo para que seja elaborado o projeto executivo do novo túnel será realizada hoje. Segundo o Metrô, a concorrência também servirá para fazer a pré-qualificação para execução de todas as obras civis da segunda fase da Linha Amarela.

A previsão do Metrô é de escavar o novo túnel e construir cinco estações da segunda fase da linha - Vila Sônia, São Paulo-Morumbi, Fradique Coutinho, Oscar Freire e Higienópolis-Mackenzie - até 2013. Anteriormente, a previsão era concluir o trajeto todo em 2012.

O Metrô informou, por nota, que "a construção do túnel é necessária para permitir o acesso à estação, um novo acesso ao pátio Vila Sônia e para (realização de) manobra de trens". "É importante ressaltar que as obras não interferirão na operação das estações da primeira fase", diz a companhia. As outras paradas da Linha 4 - Butantã, Pinheiros, República e Luz - devem ficar prontas até o próximo ano. As paradas Faria Lima e Paulista estão em operação parcial desde maio.

Para o novo túnel será preciso desapropriar 42 imóveis, já declarados de utilidade pública em 2005. Durante a escavação está prevista a retirada de 294,7 mil m³ de terra, areia e pedras.

Interligação. A Estação Vila Sônia da Linha 4 vai interligar o metrô com um terminal de ônibus. Esse terminal rodoviário ficará localizado entre as Avenidas Francisco Morato e Eliseu de Almeida, paralelo à Rua Heitor dos Prazeres, ao lado do pátio onde manobram os trens da Linha 4.

Haverá integração de ônibus municipais, intermunicipais e o metrô. Será operado em conjunto pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), empresa do governo estadual, e pela São Paulo Transporte (SPTrans), da Prefeitura. Está prevista a movimentação de 600 ônibus por hora nos picos, com capacidade para atender aproximadamente 45 mil usuários por hora nos períodos piores da manhã e da tarde.

O terminal de ônibus ficará suspenso sobre o Pátio Vila Sônia do metrô, em áreas já desapropriadas. Será uma edificação de dois pisos. O piso superior contará com as plataformas de embarque e desembarque dos ônibus urbanos e metropolitanos. Na área inferior ficarão os acessos de usuários e espaço para comércio e serviços de apoio. No nível do solo continuará a funcionar o pátio de trens da Linha Amarela, sem interferência do novo prédio.

Segundo Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da PUC-SP, a divisão de uma obra tão ampla como essa da Linha 4-Amarela do Metrô em vários segmentos pode ter respaldo da legislação, se o princípio fundamental de economia para o Estado for respeitado.

A licitação escolherá a empresa ou consórcio que oferecer o menor preço. Para um contrato de 16 meses para fazer as sondagens e estudar o tipo de solo que será escavado o túnel, essa concorrência tem valor estimado de R$ 1,7 milhão. A primeira etapa da linha, que incluiu escavação de 12,8 quilômetros de túnel e a construção de seis estações, já custou mais de R$ 2,3 bilhões.

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