Linha 4 do metrô tem banheiros em pior situação

Desde 2010, as novas estações devem ter o equipamento público; na Linha 1, há problemas em Santana, Tietê e Vila Mariana

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2012 | 03h02

A Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo tem os banheiros em pior situação de toda a malha. Das 36 estações com sanitários em toda a rede, em área livre ou paga, Faria Lima e Butantã apresentaram os banheiros menos limpos e sinalizados. Em seguida vem a Linha 1-Azul, com problemas nas Estações Santana, Portuguesa-Tietê e Vila Mariana - havia cabines inutilizadas, falta de higiene e banheiros trancados, respectivamente.

A Linha 4-Amarela foi inaugurada depois de uma portaria da Secretaria dos Transportes Metropolitanos que determinava que todas as estações a serem abertas mantivessem banheiros para os passageiros. Como as nova áreas foram inauguradas sem o equipamento, o jeito foi improvisar com os sanitários dos funcionários.

O resultado é que em todo o trecho a sinalização é insuficiente e os sanitários têm apenas uma cabine - o que pode ocasionar grandes filas, dependendo do horário. No caso da Estação Faria Lima, além da falta de limpeza e da falha na sinalização - improvisada, feita com uma folha de papel sulfite -, foram encontradas roupas dentro do cesto de lixo.

Já na Estação Butantã, o piso estava sujo, havia papel higiênico no chão e o cesto transbordava de lixo.

Na Linha 1-Azul, o problema começa na Estação Vila Mariana, cujo banheiro estava fechado e com um aviso na porta: "banheiro sem água". Os sanitários da Estação Portuguesa-Tietê também estavam menos limpos que os outros, e havia grande quantidade de cabelo nas pias. Na Estação Santana, o problema era o número insuficiente de cabines: de seis, duas estavam quebradas, o que provocava fila de cerca de 20 minutos. Todos os demais banheiros das Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha estavam abertos, limpos e equipados com papel higiênico, papel toalha e sabão para lavar as mãos.

Explicações. A ViaQuatro, concessionária que administra a Linha 4, esclareceu que suas estações não têm banheiros públicos, com exceção da Butantã. Nas demais, segundo a empresa, seus funcionários estão orientados a liberar os banheiros de uso restrito aos usuários que solicitarem. "Cabe esclarecer, ainda, que a concepção original dos banheiros era para público restrito, considerado preferencial (pessoas com deficiência física, idosos e gestantes, entre outros).

Com a abertura para o público em geral, a demanda por uso aumentou consideravelmente em todas as estações. Ciente do problema relacionado à limpeza dos sanitários destinados aos usuários, a ViaQuatro disse que vai aumentar o quadro das equipes de limpeza e já está em processo de contratação de novos funcionários para atuar especificamente na higienização dos banheiros das estações. A concessionária ressaltou ainda que a construção desses equipamentos não é sua atribuição, mas do Metrô.

A Companhia do Metropolitano de São Paulo, por sua vez, esclareceu que, por causa do despacho da Secretaria dos Transportes Metropolitanos de 19 de abril de 2010, todas as novas estações metroviárias devem ter sanitários públicos.

"Na ocasião da emissão desse despacho, as estações da Linha 4-Amarela tinham projetos aprovadas e as construções finalizadas, o que não permitiu a implementação desses sanitários."

Sobre a falta de limpeza dos banheiros da Estação Portuguesa-Tietê, administrada pela Socicam dentro do terminal rodoviário, a empresa afirmou que mantém uma equipe permanente de funcionários realizando a limpeza e a higienização de todos os sanitários, "utilizando produtos de limpeza de qualidade, homologados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária".

Procurada, a Socicam ressaltou que os sanitários têm um equipamento de ionização para neutralizar os odores do ambiente."

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