Linha 4 do Metrô abre na terça-feira

Nos próximos dias, as Estações Paulista e Faria Lima vão funcionar gratuitamente, entre as 9 e as 15 horas; trajeto terá 4,9 quilômetros

Eduardo Reina, Luciana Garbin e Renato Machado, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2010 | 00h00

Com dois meses de atraso, uma das obras de transporte público mais aguardadas dos últimos anos será finalmente inaugurada nesta terça-feira. Ao meio-dia, entrará em operação o primeiro trecho da Linha 4-Amarela do Metrô. Com 4,9 km, a linha vai ligar as Estações Paulista, na Rua da Consolação, e Faria Lima, no Largo da Batata, em Pinheiros.

Nos primeiros meses, as estações funcionarão fora do horário de pico, apenas entre 9 e 15 horas. O período reduzido é adotado para que sejam feitos os ajustes necessários quando o volume de passageiros é menor - o Consórcio ViaQuatro, que vai operar o ramal, estima que nesse período cerca de mil pessoas utilizem as duas estações da Linha 4. A previsão é de que o horário seja expandido para o padrão de toda a rede até setembro.

Nos próximos dias - entre uma e três semanas -, usuários não precisarão pagar pelas viagens na Linha 4, que vai funcionar no esquema de operação assistida. Nesse período, a ligação com a Linha 2-Verde, por meio das Estações Paulista e Consolação, estará fechada ao público.

Há oito anos, São Paulo não tinha uma nova linha de Metrô. As obras da Linha 4 começaram em abril de 2004. A previsão inicial era de que a primeira fase ficasse pronta até 2008. Mas problemas com desapropriações de imóveis e o desmoronamento da Estação Pinheiros - em janeiro de 2007, matando sete pessoas - atrasaram as inaugurações.

Após Paulista e Faria Lima, a previsão é de que duas novas estações sejam abertas até novembro: Butantã e Pinheiros. Entre as duas, os trens do Metrô passarão 15 metros abaixo do leito do Rio Pinheiros. Até abril, o governo promete também entregar as Estações República e Luz. Por essas seis estações, deverão passar diariamente 700 mil passageiros por dia. Numa segunda etapa, prevista para 2012, haverá ainda as Estações Vila Sônia, São Paulo-Morumbi, Fradique Coutinho, Oscar Freire e Mackenzie-Higienópolis.

Apesar de algumas estações estarem entre a Paulista e a Faria Lima, como a Oscar Freire e a Fradique Coutinho, os trens inicialmente vão passar sem parar por elas. A Linha 4 é considerada a mais tecnológica e cheia de novidades do Metrô. A maior são os trens sem condutor - o "driverless" -, sistema que só existe em algumas linhas de metrô na Europa e na Ásia. Todo o controle das operações será feito a distância e haverá esteiras rolantes para passageiros entre as Estações Paulista e Consolação. Para evitar acidentes, portas de plataforma vão separar o público dos trilhos. E elas só serão abertas quando a composição estiver de portas abertas.

A linha também será a primeira a ter o Aparelho de Mudança de Via (AMV), equipamento que possibilita cruzamento de linhas. Com ele, um operador pode desviar o rumo de um trem para outra via que esteja, por exemplo, com demanda maior.

Integração. Orçada em mais de R$ 3,8 bilhões, a Linha Amarela deverá fazer, no futuro, a integração entre três linhas de Metrô e duas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Embora vejam os benefícios da Linha Amarela, muitos usuários só pretendem passar a utilizá-la após a inauguração de outras estações. "Para mim, vai ser vantagem quando integrar com a Linha Vermelha, porque venho da zona leste. Por enquanto, é mais fácil vir de ônibus para a Faria Lima", diz o analista de sistema Jorge Cavalheiro. Outro motivo que desanima algumas pessoas é a distância da Estação Faria Lima em relação aos centros comerciais.

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