Paulo Pinto/AE
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Linha 2 do Metrô paulistano chega à superlotação

Abertura das Estações Vila Prudente, Sacomã e Tamanduateí ampliou fluxo; os 3 ramais principais têm mais de 6 pessoas por m²

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

28 Março 2011 | 00h00

Enquanto a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) inaugura hoje a Estação Butantã da Linha 4-Amarela em um prédio moderno, amplo, que lembra um shopping, passageiros da Linha 2-Verde têm cada vez menos conforto e se espremem nos trens. A linha que serve a Avenida Paulista já tem 6,5 passageiros de pé por metro quadrado em horário de pico, superando o nível máximo de desconforto adotado internacionalmente, de 6.

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Trata-se da última entre as três mais movimentadas linhas metroviárias da cidade a superar esse limite, considerando ainda a 1-Azul e a 3-Vermelha. Esta, a pior, já apresenta em alguns momentos uma demanda superior a 10 passageiros por metro quadrado.

O novo nível de desconforto da Linha 2-Verde foi confirmado pelo Metrô ao Estado na última semana e retrata uma piora influenciada pela inauguração no ano passado das Estações Vila Prudente, Sacomã e Tamanduateí. Além de atender esses bairros, elas facilitaram o acesso ao sistema de pessoas vindas do ABC de trem ou ônibus.

Em 2009, antes das novas estações, eram 4,9 passageiros por metro, o que significava um certo conforto para os usuários e fazia da linha uma exceção. Em 2010, após a inauguração das estações, esse índice subiu 25%, para 5,9. No dia 19 de março, o horário de funcionamento da Vila Prudente foi estendido. Era das 8h às 17h e agora vai das 4h40 às 21h, pegando integralmente os horários de pico da manhã e da tarde.

A expectativa agora fica por conta da influência que as novas estações da Linha 4-Amarela poderão trazer para a linha 2-Verde, uma vez que elas se encontram na Avenida Paulista e permitem baldeação. Milhares de usuários novos podem ser jogados na linha.

Segundo a companhia, não é possível falar que a 2-Verde ficará sobrecarregada porque a nova demanda terá sentido oposto à atual. De manhã, por exemplo, quando o pico se concentra no sentido Vila Madalena, os usuários vindos da Linha 4-Amarela trafegarão sobretudo no sentido Vila Prudente.

Explosão. O número total de usuários desde a ampliação do horário de funcionamento das Estações Tamanduateí e Vila Prudente mostra como esses ramais têm influenciado a Linha 2-Verde. No início de março eram 519 mil por dia. Já na última semana foram 543 mil. O número contrasta com os 416,4 mil de um dia típico de março de 2009.

O reflexo disso aparece nas estações, com usuários aglomerando-se em diversas estações da linha. Na Brigadeiro, por exemplo, é perceptível o aumento no número de pessoas esperando passar até três composições para conseguir entrar no rush.

"Parece que estamos brincando de estátua. Como paramos, ficamos, sem ter nenhum apoio além do vizinho", afirma a comerciante Jane Marques, de 33 anos. Ela faz o trajeto diariamente entre as Estações Itaquera e Trianon Masp, e opina que a Linha 2-Verde "está ficando como as outras".

Insatisfação. A opinião é retratada também em pesquisa da Associação Nacional de Transportes Públicos, que mostra queda na satisfação dos usuários da linha entre 2009 e 2010. Caiu de 88% para 84%. Entre os usuários da linha 1-Azul, ficou estável, em 85%.

Para Carlos Alberto Bandeira Guimarães, professor da Unicamp na área de transportes, 6 passageiros por metro quadrado é uma medida padrão que já significa pessoas se esbarrando, mas de uma forma suportável. Acima disso, e especialmente quando a taxa passa de 7, existe uma necessidade premente de melhora do serviço, seja por meio de investimentos em novas linhas de metrô, seja por meio da diminuição no intervalo entre as composições.

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